Juiz de Fora e Zona da Mata têm dois vencedores no “Oscar da Voz” em Los Angeles
12ª edição do SOVAS Awards aconteceu no domingo (18) e reuniu profissionais de todo mundo; vencedores comentam sobre trajetória artística

Juiz de Fora e a cidade de Piraúba, na Zona da Mata, foram representadas com vitórias no Society of Voice Arts and Sciences (SOVAS) Awards 2025, considerado o “Oscar da Voz”, no último domingo (18), em Los Angeles. A dubladora Andressa Mello e o locutor Fabiano Vieira foram premiados na 12ª edição da cerimônia, que reúne profissionais da área da voz de todo o mundo em mais de 100 categorias, entre elas animação cinematográfica, dublagem, publicidade, audiolivros e audiodescrição.
Caminho de desafios até a premiação

“Espero que esse prêmio possa servir como ponte para jovens artistas que, como eu, sonham com uma profissão digna do campo artístico”, reflete Andressa. Vencedora do prêmio de Melhor Locução para E-learning em Língua Portuguesa, com o vídeo “Tudo o que você precisa saber para ler Frankenstein”, a atriz e dubladora é nascida e criada em Juiz de Fora e viveu muitas experiências na profissão antes de conquistar o “Oscar da Dublagem”.
Com uma carreira artística marcada pela versatilidade na locução e dublagem, este é o terceiro ano seguido que Andressa é indicada para a cerimônia. Além da categoria na qual saiu vencedora, ela também concorreu ao prêmio de Melhor Dublagem para TV ou Cinema em Língua Portuguesa, pelo trabalho como protagonista na série mexicana “Como Água para Chocolates”, da HBO Max.

“Foram muitos anos de estudos e dedicação. A locução é o campo artístico que comecei a explorar a menos tempo, mas foi o primeiro que me deu um prêmio dessa magnitude”, conta. Andressa reforça que está animada para os próximos passos e que a jornada para uma artista independente, como ela, é sobre constância. Depois de anos de anos de desafios, ela destaca que, atualmente, o esforço vem trazendo “ótimos frutos”.
Já Fabiano foi vencedor da categoria de Melhor Locutor para Chamada Promocional – TV ou Web – em Língua Portuguesa, pelo trabalho de divulgação do Cavalo Caramelo da peça Caramellowstone, da Paramount + Brasil. Essa é a sua segunda estatueta no SOVAS Awards. Em 2022, o locutor de Piraúba – município da Zona da Mata Mineira, a 90 km de Juiz de Fora – também venceu o prêmio da categoria de comercial de TV.
Para ele, o caminho até o mais alto nível da locução mundial não foi fácil e, para lidar com a pressão, é importante ser persistente: “Tem um momento que a gente só enxerga o que dá para virar. Tive que enfrentar minha tia que falava sempre para fazer um concurso público (riu). Trabalhei muito tempo no telemarketing, e só em 2007, quando fui demitido, que comecei a trabalhar com a voz.”
Fabiano percorreu o rádio, fez locução para empresas de televisão e até locução em mercados, até que, após a pandemia da Covid-19, ele decidiu investir somente na locução. “Hoje, não faço mais nada além de trabalhar com a voz. Foi árduo. É bonito todo o processo, mas foi muito trabalhoso”, aponta.
Visibilidade pós prêmio é reforço para continuar
Andressa e Fabiano afirmam que o prêmio não é só um troféu. Na verdade, após anos de “corre”, a premiação funciona como uma virada para a visibilidade individual dos artistas – mas não só isso.
“O prêmio serve para dar sentido para tudo que você aguentou quando ninguém estava vendo. É um marco na história como profissional. Muda como o mercado te enxerga. Tive momentos que vivi só no modo ‘trabalho, entrega, corre’. Espero que venham ainda mais coisas para celebrar”, revela Fabiano.
Andressa também compartilha do mesmo sentimento. Para a atriz e dubladora, o momento também faz a comunidade artística enxergar valor no que faz, além de trazer mais visibilidade para o trabalho desenvolvido na região: “Você sabia que existe um cenário cultural gigante e cheio de gente talentosa, digna de estar em Los Angeles, bem aqui no seu quintal?”, questiona.
Vencedores enxergam premiação como incentivo para cultura local
Na visão dos vencedores, viver distante dos grandes centros é mais um empecilho na hora de buscar espaço na arte, especialmente quando se trabalha com a voz.
Andressa argumenta que a premiação deveria ter o poder de incentivar a produção cultural local. “Quero acreditar que esse prêmio também é importante para atrair investimento cultural aqui na nossa cidade, para que mais pessoas tenham a oportunidade de viver do ofício artístico.”
Fabiano aponta caminhos para outros artistas também se destacarem, mesmo que fora das principais metrópoles nacionais. “Para sair do interior, você tem que estudar muito, batalhar muito e buscar contatos. O networking é parte imprescindível. Se isso chegou até mim, que saiu de uma cidade de 10 mil habitantes, pode chegar a outras pessoas também.”
Tópicos: juiz de fora / Oscar / Piraúba