Há presentes que não se embrulham. Não estão disponíveis nos shopping centers. Eles são construídos com gestos concretos. É o que falta para as pessoas idosas receberem: políticas públicas, urbanismo inteligente e principalmente serem vistas como parte essencial e viva da cidade. Em JF, como em tantas outras cidades brasileiras, o envelhecimento há muito tempo que não é mais uma previsão, é um fato concreto.
No entanto, a cidade ainda não se preparou para receber esse grande contingente de pessoas idosas no seu cotidiano. E se ela pretende ser uma cidade acolhedora, ela tem que ser capaz de oferecer, não somente, nesse tempo de natal, mas em todos os dias, o presente da mobilidade. Não aquela mobilidade técnica e fria dos planos viários, mas a mobilidade urbana, aquela que permite ao idoso decidir por si mesmo, se quer ir à padaria, à unidade de saúde, ao Parque Halfeld, ou simplesmente caminhar no início das manhãs às margens do Rio Paraibuna.
Esse pode ser, sem dúvida, um bom presente de natal! Um outro bom presente que a cidade deve oferecer às pessoas idosas é o do tempo. Não o tempo morto do relógio da Praça da Estação, que ninguém vê. Mas o tempo social: o tempo que a cidade permite viver: uma cidade apressada demais empurra o idoso para as bordas; uma cidade que respeita o ritmo de quem envelhece, ao contrário, o reinsere no centro do convívio.
Tem também um outro presente que não cabe em caixas. O presente da escuta. Ouvir a pessoa idosa não como quem cumpre uma obrigação, mas, como quem sabe e reconhece que ali, naquela pessoa, reside memória, experiência e repertório de vida. A cidade que se abre ao diálogo com seus idosos aprende sobre o passado, planeja melhor o futuro e torna-se mais justa no presente. Acredito que esse seja um grande desafio cultural e político de nossa cidade: transformar urbanismo em cuidado; ruas em caminhos possíveis; transformar o envelhecimento em etapa plena, e não, um exílio social.
Desejo também que a nossa cidade ofereça não apenas acessos e estruturas físicas aos seus moradores, mas, ofereça também gentilezas: o banco que convida ao descanso; o sorriso que acolhe; o tempo que desacelera para acompanhar o outro. Há presentes que, de fato, não cabem em caixas, mas, cabem em gestos simples, que iluminam o dia-a-dia de todos nós e reacendem a esperança. Certamente, quando JF se permitir a esse cuidado, ela florescerá – e junto – cada vida que nela caminha. Para que todas as pessoas em qualquer idade possam seguir adiante com leveza e pertencimento.
O que você vai dar de presente à sua pessoa idosa? Mais do que presente físico comprado: dê presença!


