[wp_slide_menu]

As apostas para a sucessão de Luís Roberto Barroso no STF

Ministro Luis Roberto Barroso antecipou sua aposentadoria no Supremo Tribunal Federal


Por Paulo Cesar Magella

12/10/2025 às 06h00

 

A escolha do sucessor do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal dá ao presidente Lula a chance de indicar o quinto nome da Corte, o que, em tese, o induz a avaliar a próxima escolha com base em experiências anteriores. Em 2003, quando indicou o mineiro Joaquim Barbosa, a quem mal conhecia, ele colocou o primeiro negro na Corte, mas não um ministro que ficaria sob sua “tutela”. Barbosa, na condição de relator, impôs duros reveses ao Governo durante o mensalão, do qual foi relator, quando acolheu denúncias contra 40 réus entre os 126 relacionados na CPMI dos Correios.

Desta vez, estão em jogo outras hipóteses. Se for pela confiança, ele deve seguir o mesmo caminho pelo qual apontou seu ministro da Justiça, Flávio Dino, em 2023, e seu advogado Cristiano Zanin, em 2024, embora a experiência com Dias Toffoli, em 2010, lhe tenha causado alguns problemas. O nome mais provável seria o do advogado-geral da União, Jorge Messias, que, além de gozar de sua plena confiança, é evangélico, um componente que pesa quando o presidente tenta se aproximar dessa denominação.

Em 2006, o presidente indicou a mineira Cármen Lúcia, que tem mandato até 2029. Como hoje ela é a única mulher na Corte, após a aposentadoria da ministra Rosa Weber, há movimentações para que repita o gesto e indique uma mulher. Na fila, o nome mais cotado é o da ministra do Superior Tribunal de Justiça, Daniela Teixeira.

Se optar pela via política, quem aparece é o senador Rodrigo Pacheco, também de Minas, ex-presidente do Congresso e que esteve ao lado do presidente no momento mais crítico da gestão: a invasão da Praça dos Três Poderes. Pacheco respaldou todas as medidas de Lula. Ele ainda goza da preferência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o que não é pouca coisa.

No caso de Pacheco, o principal entrave, paradoxalmente, está no próprio presidente Lula. Sem um nome consolidado em Minas, e interessado no quarto mandato, ele carece de um candidato capaz de dar respaldo à sua pretensão de reeleição. Os demais nomes – Alexandre Kalil (PDT) e Marília Campos (PT) – têm visibilidade limitada, ao contrário de Rodrigo Pacheco, com projeção nacional.

Como o ministro Luís Roberto Barroso deve deixar o STF já nesta semana, o tempo é curto, mas definidor, uma vez que a política mineira está travada por conta da indecisão de Pacheco. Sendo ele o indicado, o jogo recomeça com novos atores. Em não sendo, sua cotação para disputar o Governo sobe, e o debate será retomado com os atores definidos no campo lulista, restando, ainda, os demais nomes para o pleito de outubro de 2026. Nessa pré-lista estão o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o vice-governador Mateus Simões e até mesmo o deputado Newton Cardoso Júnior, do MDB.