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Terras Raras: Por que o Brasil é Estratégico?

Por Isadora Souza, Arthur Esteves e André Miranda, sob supervisão de Rafael Souza e Wilson Correa

Um dos principais temas que serão abordados em um futuro encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump é o das terras raras. Mas o que isso significa?

As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos que são utilizados na indústria de tecnologia, desde fabricação de televisores e celulares a centros de energia renovável. Estes elementos possuem elevada demanda em decorrência de suas propriedades e elevada aplicabilidade na área militar, sobretudo no caso dos ímãs de neodímio que são excelentes condutores elétricos e resistentes a altas temperaturas, sendo imprescindíveis na fabricação de mísseis, aeronaves e carros de combate.

As terras raras não são de fato raras de serem descobertas, mas sim difícil de serem encontradas de forma concentrada o suficiente para a mineração ser possível. Esse processo de concentração de terras raras é o grande “nó” técnico e financeiro a ser superado, pois para se extrair 1 kg de terras raras são necessários ser processados cerca de 1000 kg de minerais. A título de exemplo, 1kg de Térbio pode custar mais de R$5.000, enquanto o minério de ferro custa R$0,60.

A China detém 90% do processo de extração e produção dos minerais críticos globais, e o Brasil é detentor da segunda maior reserva de terras raras do mundo, tornando-se estratégico para os Estados Unidos diminuírem sua dependência da China.

O Brasil possui cerca de 23% a 25% das reservas mundiais, porém, é responsável por apenas 1% da produção total, com apenas uma mina de terras raras em operação, a Serra Verde, em Goiás – a única fora da Ásia. Outro projeto, o Carina, da Aclara Resources, está em fase avançada de estudos e deve iniciar sua produção em 2028.

Traçando um paralelo o Brasil se destaca na produção de aço a partir de minério de ferro de alta qualidade. Apesar de serem commodities diferentes, essa experiência mostra que o país possui conhecimento em mineração, logística de exportação e presença em mercados globais. Com Estados Unidos e Europa dependendo da produção chinesa quanto às terras raras, o Brasil poderia se posicionar como um fornecedor alternativo, apesar de ainda apresentar falta de tecnologia e de capital no setor.

Conjuntura e Mercados*

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