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Ações de Lula e Tarcísio antecipam a disputa eleitoral

As movimentações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas mostram que ambos atuam voltados para o pleito de 2026, embora falte mais de um ano para as eleições


Por Paulo Cesar Magella

07/09/2025 às 06h00

  A sétima visita do presidente Lula a Minas Gerais e o engajamento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na campanha pela anistia apontam para a definição antecipada dos principais atores de 2026, embora falte mais de um ano para o pleito. O presidente, na sua passagem por Belo Horizonte, reafirmou a necessidade de ter um palanque em Minas, liderado pelo senador Rodrigo Pacheco, e o governador, antes visto como um político de direita, mas com perfil moderado, abraçou a causa da extrema direita para ganhar respaldo da família Bolsonaro.

  São processos incertos, pois é preciso combinar com o eleitor, mas o aguçamento dos discursos reduz o espaço para o surgimento de novas candidaturas. Na semana em que o STF iniciou o julgamento do ex-presidente, não se ouviu qualquer referência aos demais atores como os ex-governadores que têm a mesma pretensão de Tarcísio.

  O mineiro Romeu Zema recebeu o goiano Ronaldo Caiado para um café, mas não houve qualquer repercussão do encontro. A pauta era Tarcísio pela anistia e Lula em busca do voto mineiro.

  A volta da polarização, no entanto, ainda não é um dado certo por conta das próprias pesquisas. Elas têm apontado a aversão do brasileiro ao jogo do nós contra eles, mas, perante um cenário em que as demais candidaturas não decolam, há forte possibilidade de se ver, de novo, diante da disputa de segundo turno antecipada para a primeira etapa.

  É fato que o debate tem como base os eventos atuais, pois em política tudo é possível, inclusive nada, com tanto tempo para a ida às urnas. O próprio Lula tem sinalizado que é candidato, mas condiciona à sua saúde. Tarcísio deu um passo adiante, mas ainda não tem o aval pleno de Bolsonaro. O mais recente projeto de anistia o coloca como um dos beneficiados, o que reacende a sua esperança de ser ele próprio o cabeça de chapa.

  É preciso levar em conta que agenda prioritária do país ainda não é a eleição. O país tem uma série de desafios que precisam ser enfrentados pelo Governo e pelas demais instituições, a começar pelos efeitos das tarifas de 50% impostas pelo governo americano aos produtos exportados para os EUA. As exportações para os Estados Unidos caíram 18,5% em agosto, com déficit de US$ 1,23 bilhão. Essa, sim, é uma questão que passa longe dos palanques e precisa ser enfrentada.

  Um grupo de empresários – entre eles o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe – passou a semana no território americano, tentando ações para reverter o tarifaço. O resultado só o futuro dirá, mas é preciso insistir, inclusive pela via diplomática.

  Ao fim e ao cabo, é irreversível a discussão eleitoral, mas é fundamental que os atores ora envolvidos se atentem às demais demandas, a fim de garantir que o país é prioridade, e o que deve ser implementado, agora, são serenidade e empenho conjunto para superar o impasse econômico.