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LIMITE ÉTICO


Por Tribuna

17/04/2013 às 07h00

A fusão do PPS com o PMN – que deve ser consolidada hoje em Brasília – e a oficialização de quase 20 outras legendas, cujos processos tramitam na Justiça Eleitoral, são uma mostra de a quantas anda o cenário político do país. Entre os que pedem registro estão a Rede, da ex-ministra Marina Silva, e o Solidariedade, encabeçado pelo deputado e líder sindical Paulo Pereira da Silva (Paulinho da Força Sindical), ambos sob o argumento de falta de espaço nos atuais partidos, além do viés ideológico que consideram comprometido. Nessa onda também estão o Partido dos Militares e o Partido dos Servidores Públicos. Há outros, mas poucos sobrevivem, pois o eleitor nem sempre compra esse discurso, como ocorreu com o Partido dos Aposentados, que não deslanchou.

A reforma política, que de novo emperrou no Congresso, tinha, pelo menos na versão inicial, artigos estabelecendo a cláusula de barreira, pela qual só teriam direito a tempo na televisão e participação no fundo partidário aqueles que obtivessem um determinado percentual nas eleições. A meta era enxugar um cenário de tantas siglas, a maioria delas própria para aluguel nos tempos de campanha. O resultado, porém, é exatamente outro. Devem surgir novas instituições, causando uma pulverização do quadro partidário, pois cada segmento, a continuar nesse ritmo, vai querer uma legenda própria. As explicações, além das tradicionais, são muitas, a começar pelo modo como são comandados os diretórios, na mão dos chamados caciques ou cardeais, que gerenciam seus interesses e repartem o bônus para uns poucos.

Foi-se o tempo em que havia o viés ideológico como única referência. Ressalvadas as exceções, o que se vê em boa parte dos partidos é jogo de interesses de determinados grupos, que atuam no limite ético nas articulações com o Executivo, negociando votos e cobrando cargos. Como o país vive um cenário de coalizão, este é obrigado a ceder, ao mesmo tempo em que impõe sua agenda. O eleitor, a quem deveria caber o papel de definição, só resta o período eleitoral, quando vai às urnas oficializar os novos atores desse ciclo que não tem fim.