Motivação para empreender

Enxergar uma oportunidade de negócio exige, além de talento, muito treinamento, capacitação e experiência


Por Paulo Barroso Veríssimo, analista do Sebrae Minas

28/08/2018 às 08h00

Todo novo empreendimento é iniciado por algum motivo, seja ele individual ou coletivo, que faz com que os empreendedores direcionem esforços pessoais e financeiros para a concretização do negócio. Antes disso, porém, o empreendedor deve avaliar qual a razão que o motivou a empreender.

A Global Entrepreneurship Monitor (GEM) Brasil divulga, recorrentemente, pesquisas sobre empreendedorismo e, dentre as informações levantadas, os motivos para empreender. Segundo a GEM, os dois principais são necessidade e oportunidade.

PUBLICIDADE

Os empreendedores por necessidade são aqueles que iniciam um empreendimento por não possuírem ou não visualizarem melhores opções de trabalho e, então, abrem um negócio a fim de gerar renda para si e para suas famílias. Podemos perceber que este tipo de empreendedor é mais comum nos países em desenvolvimento ou que estejam passando por crises econômicas – como é o caso do Brasil –, onde as dificuldades de inserção no mercado de trabalho levam as pessoas a buscarem alternativas de ocupação.

Na sua grande maioria esses empreendedores lançam-se no mercado de forma improvisada, sem um modelo de negócio e de conquista de parceiros. Quando se deparam com alguns entraves, como falta de capital de giro e de capacitação e dificuldades de natureza tributária, percebem que manter-se no mercado é muito difícil.

De outro lado estão os empreendedores por oportunidade, que optam por iniciar um negócio ou investir em algo já existente, mesmo quando possuem alternativas de emprego e renda. Esse tipo de motivação leva o profissional a planejar algo que seja oportuno para o mercado, que estimule o desenvolvimento local ou regional, que melhore as condições sociais das pessoas ou que promova a cultura de uma região.

Enxergar uma oportunidade exige, além de talento, muito treinamento, capacitação, experiência e, sobretudo, estudo e orientações que facilitem ao empreendedor analisar os próprios passos e minimizar os possíveis riscos.

Ao buscar identificar algumas oportunidades de negócio, reflita:

  • Esta oportunidade foi identificada a partir de uma necessidade do mercado?
  • Você gosta e tem afinidade com o negócio?
  • Você tem experiência anterior ou informações claras sobre o ramo?
  • Quanto tempo pode durar essa oportunidade?
  • Ela representa valor para o cliente?
  • Você dispõe de recursos para a implantação do empreendimento ou consegue investidores ou financiamento?
  • Consegue recuperar o dinheiro investido, com perspectiva de lucro?

Podemos perceber que tem aumentado no Brasil a criação de negócios por necessidade. O desafio, portanto, é identificar uma oportunidade para que, ao abrir o próprio negócio, o empresário tenha mais chance de sucesso.

Uma forma de alcançar o sucesso é identificar em si algumas características empreendedoras. Com base em um estudo sobre motivação e realização dos maiores empreendedores americanos dos anos 1960, a ONU desenvolveu uma metodologia que considera as características empreendedoras. No Brasil, esse método é aplicado pelo Sebrae por meio do seminário Empretec, capacitação que define as seguintes características empreendedoras que uma pessoa deve ter:

O conteúdo continua após o anúncio
  1. Senso de oportunidade e iniciativa;
  2. Persistência;
  3. Capacidade para calcular riscos;
  4. Exigência de qualidade e eficiência;
  5. Comprometimento;
  6. Busca de informação;
  7. Preocupação em estabelecer metas;
  8. Dedicação ao planejamento e ao monitoramento sistemáticos;
  9. Capacidade de persuasão e de manutenção de uma rede de contatos;
  10. Independência e autoconfiança.

Em outros artigos a serem publicados nesta coluna vamos analisar detalhadamente cada uma destas características do comportamento empreendedor. Não deixe, portanto, de acompanhar nossas publicações!

Os comentários nas postagens e os conteúdos dos colunistas não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir comentários que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.