Reforma política não anda
Na pauta da semana, a reforma política. Um assunto tão controverso que poucos acreditam que um dia terá uma solução. E mais, qual solução será a escolhida. Mais ainda, se será mesmo uma solução para o país ou se para grupos políticos no exercício do poder. Relator do projeto, o petista Henrique Fontana, do Rio Grande do Sul, discorre sobre o assunto como se estivesse mesmo falando sério.
Sobre financiamento público de campanha, o parlamentar apresenta o tema como se fosse a panaceia para acabar com a endêmica corrupção nacional. Garante que ela vai ainda permitir o surgimento de líderes reais, que hoje não se elegem por falta de financiadores. Não fala a verdade o deputado. Primeiro, por já existir o tal financiamento público, e segundo porque, se implantado, não haverá distribuição igualitária de recursos.
Hoje, o PT de Fontana seria o principal beneficiado na distribuição de recursos, assim como já é no repasse do Fundo Partidário. O petista defende ainda a eleição por lista partidária, um sistema que, segundo ele, é utilizado em eleições, por exemplo, na Holanda e na Bélgica. Ótimo se os eleitores que temos não fossem , para não irmos longe, como os bolivianos e os venezuelanos.
Por fim, propõe, entre as prioridades, a eleição casada, com o eleitor indo às urnas para escolher desde o vereador até o presidente – no caso dele, a presidente – da República. Estivesse fora do poder, o deputado petista não defenderia este sistema que pode até ser bom em relação à economia de recursos públicos, em continuidade administrativa, mas que, como certeza, acaba com o debate político que se dá apenas na eleição presidencial.
Fontana não conhece a realidade eleitoral do país, onde mais vale, para o cidadão, o prefeito do que o presidente. O prefeito, ele sabe onde mora para buscar ajuda. O presidente, ou a presidenta, ele só conhece pelo rádio, onde são feitas as promessas que nunca chegam ao cidadão. Reforma, sim. Mas uma boa reforma começa pela honestidade nas propostas. Pelo debate sério. Não pela apresentação ao povo de raizadas, aqueles remédios que curam de tudo.