Obviamente, não é preciso ser muito capaz para perceber que uma pessoa circulando sobre uma pequena tábua dotada de minúsculas rodas em meio ao trânsito está se expondo a enorme risco de se ferir ou perder a vida por atropelamento. Há alguns dias, na interseção da Avenida Rio Branco com a Avenida Presidente Itamar Franco, um jovem estava a menos de um metro do ônibus e por muito pouco quase foi atropelado. Nas condições em que o fato ocorreu, o motorista, por mais exímio que fosse, jamais teria condições de evitar o acidente. O jovem skatista assustado, completamente desequilibrado, foi ao encontro de poste, caindo pesadamente ao chão, por sorte sem se ferir. No ônibus, todos se assustaram, e os comentários condenaram a atitude inconsequente do desportista.
Definitivamente, skate não é e não pode ser considerado um veículo, menos ainda meio de transporte. Trata-se apenas de uma prancha dotada de pequenas roldanas que se destinam à prática de um estranho e arriscado esporte e, por isso, deve ficar restrito aos locais próprios à prática de tal atividade esportiva, mas sempre fora das ruas e avenidas. As autoridades de trânsito precisam tomar providências, inclusive provocando, da parte dos órgãos competentes, ações no sentido de legislarem sobre a proibição de tal imprudência, para que os skates sejam retirados definitivamente das ruas.
O que se tem a lamentar é que pessoas esclarecidas, que inclusive fazem parte de certas entidades, estão estimulando seus filhos a esta prática, fazendo vista grossa e defendendo o uso de skates nas vias. Reputo-as irresponsáveis, mais que os próprios filhos skatistas, pois não estão pensando na segurança desses jovens e sequer devem se lembrar do triste episódio da perda da vida do jovem skatista filho da atriz Cissa Guimarães, que morreu atropelado dentro de um túnel na cidade do Rio de Janeiro, um fato que abalou tremendamente a sociedade brasileira.
Se, oficialmente, não há proibição para o uso de skates nas vias públicas, é obrigação das autoridades de trânsito impedir de alguma forma que isto ocorra. Caso contrário, brevemente estaremos assistindo a lamentáveis perdas de vidas, tanto para as famílias quanto para o país. As autoridades municipais, em face dessa inusitada situação, devem com rapidez investir na construção de locais apropriados para a prática do esporte, com vistas a desestimular o uso das vias de trânsito para tal prática, o que, com certeza, é medida sensata no sentido de se evitar graves acidentes.
