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Cortar na carne

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Diante do protesto dos caminhoneiros e dos demais usuários, o Governo fez reunião na noite de segunda-feira para avaliar os efeitos do aumento sistemático do preço dos combustíveis e as medidas cabíveis para reverter esse processo. O presidente Michel Temer considera que, se nada for feito, sua popularidade, ainda ao nível do rodapé, poderá ficar pior ainda. E ele continua postulando a própria reeleição.

A preocupação é justa, pois o combustível é matriz para os demais preços. Em alta, ele compromete a produção, afeta o transporte e reflete, na ponta, no bolso da população, mas é vital não incorrer no erro da gestão Dilma Rousseff, quando a ex-presidente, tentando surfar na onda da redução de preços, quase quebrou a Petrobras. Com uma política pessoal, ela impediu os reajustes necessários para a estatal e derrubou as tarifas do setor elétrico: outro desastre, pois a conta chegou depois.

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Impedir reajuste, a despeito do sucesso inicial, é o pior dos mundos, pois o que ora ocorre é resultado de um processo mundial, também afetando outras economias. A commodities petróleo passa por reajustes globais. O que pode ser feito, e aí o Governo faz ouvidos moucos, é reduzir a sua margem com os impostos. O país é um dos que mais cobra tributos da população. Vale o mesmo recado para os estados. Em Minas, houve aumento no ICMS sobre o combustível – com aval da Assembleia -, que pesa, sobremaneira, no bolso da população.
O setor produtivo poderia praticar preços mais em conta, mas, diante de tantos impostos, faz o exercício lógico do repasse. E, de novo, o consumidor, na ponta, fica com a conta. Se Brasília e os estados pensarem em reduzir sua participação, certamente haverá margem para manter os preços estáveis. Para isso, porém, será preciso abrir mão ou reduzir sua parte, algo impensável pelos tecnocratas de plantão.

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