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Mortes no feriadão de Carnaval são fruto da imprudência e da má qualidade das estradas

editorial

As rodovias brasileiras voltaram a bater recordes de mortes em acidentes de trânsito durante o feriadão de carnaval, no período de 13 a 18 de fevereiro, de acordo com números apresentados pela Polícia Rodoviária Federal. O resultado superou os de 2025, quando 85 pessoas morreram e 1.433 ficaram feridas, com um total de 1.190 ocorrências. Este ano foram 130 mortes em 1.241 acidentes.

Um levantamento apresentado pela Fundação Dom Cabral, com dados de 2018 a 2024, revela que acidentes ocorridos em pistas simples, em trechos retos e durante o dia concentram os casos mais graves nas rodovias federais brasileiras. O padrão revela uma combinação perigosa entre infraestrutura precária, excesso de velocidade e colisões frontais, impacto que mais mata no trânsito.

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A pesquisa analisou ocorrências registradas pela PRF em rodovias com fluxo médio diário igual ou superior a mil veículos, cruzando as informações com dados de volume de tráfego do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Ao todo, o estudo reúne 72 análises e permite recortes por tipo de traçado, horário, classe de acidente e tipo de veículo.

O balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal, embora preliminar, indica que o carnaval deste ano foi o mais violento nas estradas federais do país, desde 2020 – um aumento de 8,54% nos sinistros de trânsito graves. A maioria das vítimas estava em automóveis e motocicletas.

No entanto, os dados tendem a ser mais graves, pois faltam os números das rodovias estaduais. Minas tem a maior malha rodoviária.

Há lições a serem tiradas. No caso dos usuários, a imprudência continua sendo a matriz da maioria dos acidentes, especialmente o excesso de velocidade. A maioria das rodovias brasileiras, tanto federais quanto estaduais, não tem a segurança ideal, o que forma, pois, uma combinação trágica, como mostram os números.

A maioria dos casos, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal, ocorreu em pistas simples, em trechos retos e durante o dia, indicando que são necessários investimentos estruturais e campanhas educativas – ao se sentirem mais confortáveis em retas e durante o dia, os motoristas tendem a aumentar a velocidade. E qualquer descuido é fatal.

Mas é preciso discutir a situação das rodovias brasileiras e, em particular, as que cortam Minas Gerais. Embora haja um programa de recuperação de vias, por mais de uma vez, já foi dito neste mesmo espaço que ele ainda não contemplou a Zona da Mata, cortada por diversas vias estaduais, como as MGs 133 e 353, embora outras também estejam nas mesmas condições.

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Em ambas faltam acostamento, sinalização e duplicação, em decorrência do fluxo de veículos, como é o caso da ligação entre Juiz de Fora e o Aeroporto Regional Presidente Itamar Franco.

Na última sexta-feira, a Tribuna destacou a atualização dos radares da BR-040 entre Belo Horizonte e Juiz de Fora, cujo objetivo é reduzir acidentes e preservar vidas. O mote é correto, mas deve ser acrescido por outras ações. Privatizada e sob o controle da EPR Via Mineira, a rodovia tem vários gargalos que a concessionária promete resolver nos próximos cinco anos, especialmente entre Conselheiro Lafaiete e o trevo de acesso a Ouro Preto.

Há outros. Entre Juiz de Fora e Santos Dumont, os trechos em curva acentuada e os viadutos na vizinha cidade carecem de solução. Um projeto original, ainda na gestão da Via 040, previa a mudança de percurso como alternativa aos viadutos. Nada saiu do papel. A EPR não fala sobre esse assunto.

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Na direção do Rio de Janeiro a discussão é recorrente: a Região Serrana é o ponto crítico, mas a pista de rolamento também carece de ações em diversos outros pontos do percurso.

No dia 10 de março, será realizada uma audiência pública em Petrópolis, convocada pelo Ministério Público Federal, para discutir as obras e as intervenções previstas no contrato de concessão da Elovias. O evento deve ter a presença, também, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o que reforça a expectativa de avanços em um projeto que está parado há dez anos.

 

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