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DOIS DISCURSOS

Se indagada, a maioria dos políticos dirá ser favorável à reforma política, uma vez que o atual sistema tem falhas que precisam ser corrigidas. Trata-se, porém, de um discurso exclusivo para o público externo, pois essa mesma maioria, na hora da discussão no Congresso, muda o tom e veta qualquer iniciativa de mudança. Salvo as de interesse corporativo, como evitar a criação de novas legendas. A ideia não é ruim, porque há partidos demais, mas a razão é suspeita. Trata-se de uma deliberada ação para tirar o oxigênio da Rede, o partido da ex-ministra Marina Silva. Sem acesso ao fundo partidário e tempo na televisão, sua legenda será fadada ao fracasso.

O adiamento da votação da reforma, por iniciativa da maioria congressista, é um atraso, mas reveladora. Mesmo sob restrição, o texto relatado pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS) contemplava questões importantes, como o financiamento público de campanha. Os deputados dizem ser favoráveis, mas, na hora do voto, a história é outra, não só por entenderem que não resolverá o problema como também por verem cortados canais de financiamentos que irrigam suas campanhas pelo caixa dois.

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Num cenário em que o Poder Executivo deve ser o indutor das mudanças, enquanto o Palácio do Planalto não se manifestar, a reforma será um projeto nômade. Somente sob pressão de quem tem a caneta é possível avançar no Legislativo, embora seja desse a prerrogativa de fazer leis. A presidente Dilma tem se mantido à margem das discussões, em função de outras demandas, mas seu silêncio sobre a reforma tem sido motivo para tirar a matéria da pauta, a despeito de o presidente da Câmara, Henrique Alves, garantir que ela volta ao debate nesta semana. A conferir.

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