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Medidas de contenção contra o crime organizado

editorial

Minas Gerais e, por extensão, Juiz de Fora, sempre sustentaram o discurso de não haver crime organizado em seu território, a despeito de o vizinho Rio de Janeiro ser sede de uma das principais facções do país. As recentes operações das equipes de segurança revelam, porém, que esses organismos, já instalados em diversas partes do país, não são exceção no território mineiro.

A megaoperação realizada na última quarta-feira contra integrantes do Comando Vermelho, com o cumprimento de pelo menos 15 mandados de busca e apreensão – relacionados a dois homicídios e duas tentativas de homicídio ocorridos em janeiro e julho deste ano -, é reveladora. Os policiais civis, com apoio de regionais de Juiz de Fora, Viçosa, Ubá, Leopoldina e Muriaé, atuaram no processo de contenção da expansão territorial da facção na cidade e na região.

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A diferença, cujos fatos demonstram, é o modelo de trabalho da segurança estadual. As ações ora em curso, e outras que se desdobraram do evento de quarta-feira, são de enfrentamento ao crime organizado antes que ele se torne, de fato, um estado paralelo, como ocorre no Rio de Janeiro. Os agentes atuam para conter ações de tribunais do crime e controle de regiões inteiras, nas quais o Estado formal não tem acesso.

Enquanto deputados e senadores se digladiam para a implementação do projeto de combate a facções e da PEC da segurança pública, os organismos estaduais estão em campo fazendo o seu papel, reforçando a sensação de segurança da população, quando esta sabe que não há inércia das polícias, mesmo diante das muitas discussões envolvendo equipamentos e salários dos policiais.

E não há como ser diferente. O que ora ocorre do outro lado da divisa é resultado de décadas de leniência, envolvendo todas as instâncias de poder. O crime organizado se infiltrou em escalões importantes do estado, bastando acompanhar o noticiário. A Polícia Federal, no início do ano, prendeu um deputado estadual acusado de envolvimento com o Comando Vermelho. Há 15 dias, colocou em reclusão o presidente da Assembleia, sob suspeita de ter avisado o colega da operação. Os pares, na última terça-feira, revogaram a prisão. O parlamentar foi liberado, sob a condição de tornozeleira eletrônica, e se licenciou por um período.

A segurança pública é uma demanda nacional em razão da capilarização do crime organizado. As quadrilhas têm claro intercâmbio, enquanto no Congresso se discute a integração das polícias sob a ótica da política. Governo e oposição têm suas razões, mas já passou o tempo para se encontrar um consenso. Afinal, quem perde é a população, sobretudo das regiões que hoje são reféns das facções, sem o constitucional direito de ir e vir.

 

 

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