A recusa do senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao convite do presidente Lula para acompanhá-lo em mais uma visita a Minas Gerais – a oitava somente no atual mandato – tem significados importantes para o jogo político de 2026. Embora, de fato, tenha uma agenda cheia em Brasília, com votações de projetos de relevância, como a dosimetria de penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, o senador poderia ajustar sua agenda se estivesse em uma boa situação com o presidente da República.
Desde a indicação do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal, o senador mineiro tem mantido uma postura reservada, a despeito de o presidente ter defendido a sua candidatura ao Governo de Minas Gerais com o aval do Palácio do Planalto. Na primeira conversa entre ambos, disse a Lula que iria ouvir apoiadores, amigos e seu partido, mas admitiu a possibilidade de abandonar prematuramente a carreira política.
Ao ficar de fora da comitiva do presidente, o senador explicitou claramente o seu descontentamento e antecipou o que para muitos já é um dado real: não vai disputar o Governo de Minas. Pode até tentar a reeleição, mas sabe que terá dificuldades dentro do próprio partido. O PSD está envolvido no projeto do vice-governador Mateus Simões, que vai disputar o Governo e quer para o Senado nomes engajados com esse projeto.
A visita do presidente, portanto, deve ir além das concessões aos municípios, devendo dar margem para outras conversas envolvendo novos atores na sucessão. O Plano B, com Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, ainda é uma incógnita, que pode avançar ante a recusa de Rodrigo Pacheco, mas nem todo o segmento petista de Minas gosta dessa opção.
O problema é que a preferida dos petistas não quer disputar o Governo. A prefeita de Contagem, Marília Campos, até toparia ser vice se Rodrigo Pacheco fosse o candidato, mas sua opção preferencial é o Senado Federal, que abrirá duas vagas em 2026. Já a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, tem dito e reafirmado que vai cumprir o seu mandato até o dia 31 de dezembro de 2028. Se for para a disputa, teria que se desincompatibilizar em abril, o que, segundo ela, está fora de cogitações.
É fato que a sucessão ainda está longe, mas, se pelo campo da direita há nomes em demasia, na trincheira do presidente Lula o cenário ainda é de incertezas.
O eleitor, por seu turno, está distante desse processo. Com tantas demandas pela frente, ele, certamente, só irá se inteirar da disputa sucessória no final do primeiro semestre de 2026. Esse prazo, porém, é só de quem vota. Quem quer ser votado tem que ir a campo mais cedo.

