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Debate ricos contra pobres ganha a agenda política

Com margem reduzida para aprovar seus projetos econômicos no Congresso, o Governo do presidente Lula volta às origens e investirá na pauta social. O discurso ricos contra pobres, que ganhou corpo nas redes sociais após o impulsionamento da bolha petista, vai ganhar um novo tema: a agenda 6 por 1. A matéria, que não avançou entre deputados e senadores, será o mote das redes sociais. As consequências desse modelo são incertas, mas é o modo adotado para contrapor à resistência da Câmara e do Senado em pautas caras para o presidente.

Aliados destacam que o presidente, mesmo estabelecendo pontes com o Parlamento, irá reencontrar o Lula líder sindical, que partia para o enfrentamento, sem, no entanto, fechar portas. Tal postura agrada o núcleo duro, mas é vista com reservas em outros setores do Planalto, ante o risco de criar um cenário sem volta em um ano que caminha para o fim e que é véspera das eleições de 2026.

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A direita ainda não se apresentou nas redes sociais – território que conhece bem – para contrapor ao avanço petista, mas, de novo, os bombeiros estão em campo para impedir o esgarçamento da relação entre os poderes.

A questão é saber qual é o limite dos dois lados. O Supremo, que certamente será chamado para o jogo, tem uma posição dúbia: há os que acham que os ministros não querem entrar nessa peleja, mas outros até gostam, por ganharem visibilidade no embate que já se faz presente há tempos na política nacional.

A questão a ser discutida passa, necessariamente, pelas consequências. Se para os atores desse enfrentamento a motivação se renova a cada ação, ora do Planalto, ora do Congresso, os “bombeiros” entendem ser um jogo sem vencedores e muitos perdedores.

O recesso parlamentar, que começa na segunda quinzena deste mês, pode reduzir a temperatura, criando um espaço para conversas. O ministro Gilmar Mendes, do STF, que patrocina um dos eventos mais prestigiados em seu Instituto Jurídico em Lisboa, expôs suas preocupações aos convidados – tanto da direita quanto da esquerda -, no que pode ser uma abertura para a retomada do diálogo. O presidente da Câmara, Hugo Motta, um dos participantes, disse que topa conversar com o Governo, mas antecipou que a Câmara não abre mão de suas prerrogativas.

Este, aliás, é um dos pontos em que há margem para entendimento, desde que as partes conheçam, de fato, os seus limites. O ponto crítico da relação foi a derrubada do IOF, após uma reunião em que todos celebraram um histórico entendimento. É necessário saber o que mudou e estabelecer caminhos nos quais as duas partes, de fato, possam cumprir o que foi combinado.

Recorrer ao STF para dizer quem está certo é um direito, mas um risco, já que, em vez do retorno da relação, o resultado pode levar a um divórcio irreversível. O ministro Alexandre de Moraes, ao convocar as partes para uma audiência de conciliação, abriu uma porta.

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