Perspectiva 2026. De acordo com a maioria dos institutos de pesquisa, a segurança pública continuará sendo a maior preocupação dos brasileiros em 2026, mas estará embutida na agenda eleitoral em decorrência do pleito de outubro, quando estarão em jogo Presidência da República, Congresso Nacional, governos dos estados e assembleias legislativas. Ela ganhou destaque no ano que terminou, quando a Câmara dos Deputados iniciou as votações da PEC apresentada pelo Governo federal e a Lei Antifacção. Os dois projetos, embora tenham avançado entre os deputados, ainda estão sendo discutidos no Senado Federal.
Ao mesmo tempo, a ação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que culminou com 122 mortes, entre elas de cinco policiais, mostrou à população o quanto é preciso avançar. No primeiro momento, a maioria aplaudiu, subiu a cotação do governador Cláudio Castro, mas ficou claro que nada mudou, e os criminosos mortos já foram substituídos. O combate ao crime organizado carece de ações conjuntas das instâncias de poder e para além do enfrentamento, embora seja este o primeiro estágio.
O ano que começa tem esse desafio, que irá para os palanques, mas também vai exigir bom senso do Congresso em avançar nos projetos que por lá tramitam. Orientar a discussão apenas pelo viés da polarização é antecipar o fracasso, sobretudo pela visão distinta dos dois polos. Há margem para consensos, e estes devem ser buscados especialmente pelos agentes de fato interessados em uma solução.
No mesmo 2026, embora seus postos não estejam em jogo – prefeituras e câmaras -, os municípios têm importantes desafios pela frente. A reforma tributária deve começar a produzir os primeiros resultados com repercussão direta no caixa das prefeituras, hoje à mercê de tributos, como IPTU e ISS, mas dependendo diretamente de repasses do ICMS, que passará por profunda mudança, e de emendas parlamentares, estas sob o olhar do Supremo Tribunal Federal em decorrência do critério pouco republicano adotado por alguns parlamentares.
Para não ficar apenas em uma agenda densa, 2026 também é ano de Copa do Mundo, e o Brasil, de novo, está entre os mais cotados ao título, embora o último tenha ocorrido há 24 anos. A atual geração que vestirá a camisa brasileira ainda estava nas fraldas quando o penta se tornou realidade. O novo técnico tem estrela de campeão, mas isso só não basta. A pátria, de novo, calçará as chuteiras, esquecerá as diferenças e estará na arquibancada torcendo pelo hexa.
Com o título, ou não, o país ficaria melhor se a torcida única em busca do título se replicasse em torno de um projeto comum para o Brasil.
Perspectiva 2026: ano será marcado por desafios

