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Pesquisa Genial/Quaest mostra que políticos já estão no palanque

editorial

A terceira rodada da Pesquisa Genial/Quaest, feita com 203 deputados federais, não traz surpresas, sobretudo por refletir também o sentimento de vários setores da sociedade em relação ao mandato do presidente Lula. Não que necessariamente os parlamentares reflitam o pensamento dos responsáveis pelo voto que os levou ao Parlamento. Há divergências em diversas pautas. Um exemplo é a coincidência quando se trata de aumento das isenções do Imposto de Renda e divergências na discussão dos supersalários.

O pano de fundo é o calendário eleitoral de 2026. Os políticos, em razão da fragilidade do Governo diante da opinião pública, já atuam com outros cenários. E a própria pesquisa mostra isso. Para 68% dos entrevistados, o presidente Lula será candidato à reeleição. Esses mesmos parlamentares acham, no entanto, que ele não sairá vitorioso.

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Como os políticos têm uma leitura própria sobre os bastidores do poder, essa maioria se reflete no próprio esvaziamento da base do presidente. Partidos como o União Brasil e PSD, que têm assento nos ministérios, não escondem que estão próximos do desembarque, já pensando no próximo mandato. Eles devem formalizar em agosto uma federação que os tornará a maior bancada na Câmara dos Deputados. Ontem, em entrevista ao programa “Estúdio I”, da Globonews, o presidente do União, Antônio Rueda, admitiu que o desfecho vai ocorrer em agosto, tão logo a aliança seja referendada pela Justiça Eleitoral. E não há dúvidas de que vão sair.

A decisão do presidente Lula de ir ao Supremo Tribunal Federal com uma ação declaratória, para apontar a constitucionalidade do seu projeto que trata do IOF, é mais uma justificativa para o mau humor dos parlamentares, mesmo sabendo que o que se pediu foi apenas uma indicação de que não faz sentido o Congresso vetar algo que é de prerrogativa do Executivo. Em entrevista em Salvador, o presidente disse que, se não for ao STF, ele não governa mais.

A questão é saber como ficará a agenda do Congresso a partir deste segundo semestre, após o recesso de julho. Os votos serão de acordo com a importância do tema para a sociedade ou serão dados pela conveniência política, isto é, “hay Gobierno, soy contra!?”.

Nesse jogo, cujos times já estão em campo, o próprio Planalto já se convenceu de que não pode contar com todos os atuais aliados. Por isso, partir para o enfrentamento pode parecer uma atitude de intempestiva, mas é, de fato, um ato político pensado, sobretudo por levar em conta que há ações relevantes, especialmente na área social, que podem ser levadas adiante sem a participação do Congresso.

Lula já se convenceu que não há mais margem para as conversas fora da agenda para convencer os congressistas. Disse que até vai telefonar para o presidente da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, David Alcolumbre, para pacificar a relação, mas, ao fim e ao cabo, serão formalidades da política, pois na hora do voto terá que contar com a sua real base, que hoje não lhe garante maioria. E aí, percebe-se, atuará com algo que faz de melhor: levará a discussão para as ruas, como, aliás, já ensaia, quando se coloca em questão o maniqueísmo de ricos contra pobres, e não mais a velha discussão de direita contra esquerda.

 

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