Uma das questões que o eleitor de Juiz de Fora e da região deve colocar na sua agenda é a cobrança de compromisso aos políticos interessados em um mandato e do que estão fazendo os atuais eleitos, prestes a se defrontarem com as urnas de outubro. Salvo iniciativas orgânicas e de outros setores, os eleitos pela Zona da Mata e seu entorno não retornaram a contento o pacto com o eleitor firmado em 2022, salvo, é fato, as exceções.
Nesta mesma edição, logo ao lado, a coluna Painel registra dois eventos de relevância para a região que, se estão avançando, o mérito é das partes diretamente envolvidas e das prefeituras da região. O primeiro caso é o do Aeroporto Regional Presidente Itamar Franco. De acordo com a informação da coluna, ele está fora da lista de aeroportos regionais da Região Sudeste que receberão aportes financeiros do Ministério de Portos e Aeroportos.
Em maio do ano passado, por iniciativa da prefeita Margarida Salomão, prefeitos, vereadores, deputados e lideranças da Zona da Mata estiveram reunidos em Juiz de Fora para o Primeiro Encontro de Lideranças Regionais. A pauta única tratava da revitalização do Aeroporto Regional Presidente Itamar Franco, entre as cidades de Goianá e Rio Novo. Idealizado por Itamar, que ora lhe empresta o nome, e construído na gestão Aécio Neves, o terminal era considerado, de acordo com o ex-presidente, um importante fator para o desenvolvimento da região.
No entanto, a conclusão da obra não significou a esperada virada, ante complementos que ainda se fazem necessários, como acesso pela MG-353, que continua sendo um passivo a ser resolvido pelo Governo estadual, e elevação do aeroporto à condição de terminal industrial. Afora isso, outros pleitos foram levantados, como a implementação de áreas de desembaraço de produtos e ampliação dos voos para São Paulo e retorno da linha para Belo Horizonte.
Outra pauta, essa mais doméstica, é a finalização do Fórum – cuja obra passou por um período de pare e siga -, que ainda não tem data para inauguração. Os recursos, é fato, são exclusivos do Tribunal de Justiça, mas não há notícia do envolvimento de algum deputado na procura por informações junto ao Tribunal. Na última quarta-feira, os diretores do Tribunal de Justiça entregaram o Fórum da vizinha cidade de Guarani. Respeitadas as dimensões, a obra andou mais rapidamente do que a de Juiz de Fora.
A demora causa incômodos devido à saturação do atual Palácio Benjamin Colucci. Vários serviços tiveram que buscar um espaço próprio para atender não apenas aos servidores da Justiça, mas também – e sobretudo – à população. O propósito do novo prédio é acolher todas as varas, com exceção do Ministério Público, que terá um prédio próprio também no antigo Terreirão do Samba, na Avenida Brasil. Tal obra, porém, por problemas de cálculo, levará mais tempo até a sua conclusão.
Com o atraso, vários projetos ficam pendentes, a começar pela mudança de sede da Câmara Municipal, para quem foram definidas a propriedade e a posse do atual Fórum. Tanto no Judiciário quanto no Legislativo, várias mesas diretoras mudaram sem que o processo tivesse um desfecho.
Mas quem perde é a população. Tanto os usuários do aeroporto quanto os jurisdicionados estão há tempos sem uma solução.

