Em sua cruzada pela retirada das tropas da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) , o senador do país caribenho Jean Charles Moise cumpriu ontem os primeiros compromissos de sua visita ao Brasil em Juiz de Fora. Após participar de um encontro com a imprensa e de uma reunião pública na Câmara Municipal, o parlamentar ouviu dos vereadores juiz-foranos a disposição da Casa em enviar ao Comando Militar da Região uma representação solicitando a retirada dos militares brasileiros. Os encontros resultaram ainda na criação do Comitê Local e Regional pela Retirada das Tropas do Haiti, com a primeira reunião marcada para o dia 24.
"O dinheiro gasto pela ONU para manter as tropas seriam melhor aplicados caso fossem utilizados para equipar e aumentar o efetivo da polícia local. Poderiam ainda ser investidos na produção regional, saúde e educação. Precisamos começar a andar com nossos próprios esforços, para conseguirmos nossa autoafirmação como povo novamente", afirma Moise. Segundo a delegação que acompanha o senador, a verba prevista para a manutenção das tropas em 2013 é de cerca de US$ 650 milhões.
Opositor do presidente Michel Martelly, o senador mostrou preocupação com o futuro político do país. "É um governo imposto pelos Estados Unidos, que negligencia a economia do país. O presidente não tem medo das manifestações populares, pois tem o apoio das tropas estrangeiras." De acordo com Moise, a solução passa pela realização de novas eleições. A presença de Moise na cidade se justificativa pois boa parte dos militares brasileiros enviados ao Haiti pertencem a batalhões de Juiz de Fora e cidades como Santos Dumont e São João del-Rei.
Antes de retornar ao seu país na sexta-feira, o senador cumpre compromissos políticos em São Paulo e Brasília. A presença do político aconteceu após articulações lideradas pelo vereador Roberto Cupolillo (Betão, PT). A ocupação do país caribenho teve início em 2004, quando o então presidente Bestrand Aristide foi deposto por forças militares. Em 2010, um terremoto matou mais de 300 mil pessoas, deixando um milhão de desabrigados.
