Uma atleta nascida em Juiz de Fora e criada em Mar de Espanha, que deu seus primeiros passos no futebol na cidade vizinha, começou a levar mais a sério a carreira no Esporte Clube Benfica e hoje se destaca em gramados paulistas está comemorando a realização de um sonho. A goleira Flavia Guedes, de 18 anos e 1,70m, atualmente defendendo o gol do São José, de São José dos Campos, foi convocada para a Seleção Brasileira Sub-20 e se apresenta daqui a dez dias na Granja Comary.
Ao todo, o técnico do Brasil, Adílson dos Santos, convocou 24 jogadoras para a primeira etapa de treinamentos que visam às disputas do Campeonato Sul-Americano e do Mundial da categoria, ambos em 2014, ainda sem local e data definidos. Nesse grupo inicial, Flavia terá como concorrentes à camisa 1 da Seleção Sub-20 Letícia Bussato, sua companheira no São José, e Letícia Izidoro, do catarinense Kindermann. As atletas chegam a Teresópolis no dia 24 de abril e ficam concentradas e treinando até o dia 8 de maio.
Convocada pela primeira vez, a juiz-forana não esconde a ansiedade por chegar ao local que já abrigou tantos craques do futebol brasileiro tanto no feminino como no masculino. "Parece que o tempo passa mais devagar, estou ansiosa para entrar naquele lugar. A Granja Comary é como se fosse quase sagrada. Quero vestir o uniforme mais desejado. A sensação é de estar vivendo um sonho, um sonho que busquei com muito esforço e muita vontade", diz Flavinha, como é carinhosamente chamada pelas amigas e em casa.
Surpresa e festa
A juiz-forana sabia que estava na mira de Adilson dos Santos, mas foi pega de surpresa pela notícia 14 dias antes da data que estava prevista para a convocação e explodiu de alegria. "A previsão era de que no dia 10 de abril sairia a lista da Sub-20. Eu sabia que tinha sido avaliada pelo técnico, assim como ele já conhecia outras goleiras pelo Brasil afora, mas não tinha a menor noção do que poderia acontecer. Tinha consciência que estava bem nos treinos, me esforço para me aperfeiçoar, mas a gente nunca sabe de como estão as outras atletas. No dia 28 de março, eu estava no alojamento, dormindo, quando a Gabriela (atacante do São José) me acordou falando que eu tinha sido convocada, que meu nome estava na lista no site da CBF. Quase não acreditei e dei um abraço nela. Pulei nas camas das outras meninas, elas me abraçaram me dando parabéns e logo liguei pra contar para a minha mãe (Leda), que é a pessoa que mais batalha por mim, para minha família, no meio de muito choro de alegria. Foi um surto de euforia como se estivesse vivendo uma alucinação", conta.
Mesmo sendo pega se surpresa pela primeira convocação, a goleira revela que, no seu íntimo já sabia desde muito cedo que iria atuar com a camisa do Brasil. "Desde pequena, muito antes de jogar em Juiz de Fora – que foi minha primeira experiência no futebol feminino, em 2009 -, quando eu ainda jogava com os moleques na rua, no clube, nas quadras de Mar de Espanha, eu já falava que iria para a Seleção Brasileira. Não era uma prepotência, era uma teimosia, um projeto de vida mesmo", explica Flavia.
Agora jogadora de Seleção, Flavinha sabe que a responsabilidade cresce, mas não se deslumbra. "A nossa equipe tem um nível muito alto. Muitas jogadoras do São José servem às seleções brasileiras. Isso já é lugar comum ali. Mas claro que a responsabilidade aumenta muito e quero estar na minha melhor forma, treinar da melhor maneira possível e que tudo ocorra como eu sempre sonhei. Vou me dedicar demais para que seja assim", pretende a goleira.
