O juiz-forano Leonardo Hermisdorf ocupa a quarta posição do ranking brasileiro de powerlifting na categoria até 93 kg e soma três títulos consecutivos do Campeonato Mineiro. Em outubro, ele completou nove anos de prática na modalidade, sempre em nível competitivo. O esporte de força reúne três movimentos básicos: agachamento, supino e levantamento terra. Em competições, o atleta tem três tentativas em cada exercício, sempre nessa ordem, e vence quem soma a maior carga total levantada, respeitando critérios técnicos e comandos da arbitragem. As provas exigem força máxima, controle corporal e consistência, e são disputadas em categorias divididas por peso corporal.
Em entrevista ao programa Dá Jogo, transmitido semanalmente às quartas-feiras, às 10h30, no YouTube da Tribuna de Minas, Leonardo, também educador físico, contou sua história e falou sobre o cenário da modalidade. Ele iniciou no powerlifting na categoria júnior, destinada a atletas entre 18 e 23 anos.
A estreia ocorreu na divisão até 105 kg, mas, ao longo da carreira, passou a competir na categoria até 93 kg. Logo na primeira competição, conquistou o título e repetiu o resultado no ano seguinte, já na outra faixa de peso, mas mantendo a regularidade em competições de nível regional.
A sequência competitiva foi interrompida pela pandemia, que reduziu drasticamente o calendário da modalidade. O retorno aconteceu no BOP Games, evento poliesportivo de grande porte na América Latina. “Foi um marco para mim. Ganhei, e, a partir dali, voltei a competir regularmente pela Federação Mineira de Powerlifting”, relata.
Nesse período, Leonardo também integrou a diretoria técnica da Federação Mineira de Powerlifting (FMP). Já o reconhecimento estadual veio em 2023, quando foi eleito o melhor atleta de Minas Gerais, premiação definida por um coeficiente que relaciona peso corporal e carga total levantada. “Esse sistema permite comparar atletas de categorias diferentes, o que torna o resultado ainda mais significativo”, avalia Léo. O prêmio se repetiu em 2024 e novamente em 2025. No cenário nacional, encerrou 2024 entre os cinco melhores do país e alcançou o quarto lugar no ranking brasileiro na última temporada.
O ano de 2024, no entanto, também apresentou um novo desafio importante em sua trajetória. Uma lesão no músculo posterior da coxa comprometeu a preparação para o Sul-Americano. “Cheguei a competir com uma fissura de sete centímetros no posterior. Sabia que não estava em condições ideais, mas optei por seguir”, diz. Mesmo assim, conquistou medalha de bronze no agachamento, com 265 kg, e no supino, com 185 kg. Ainda em 2024, disputou o Campeonato Brasileiro e terminou na segunda colocação, sem estar em plena condição física.
A retomada mais consistente ocorreu no Campeonato Mineiro seguinte, quando totalizou 785 kg. “Foi a competição em que consegui voltar a agachar com mais segurança”, afirma. O desempenho incluiu 270 kg no agachamento, 190 kg no supino — novo recorde estadual — e 325 kg no levantamento terra, seu movimento preferido.
Temporada 2025 no powerlifting
A temporada passada marcou a estreia do juiz-forano em campeonatos mundiais. Em Chemnitz, na Alemanha, Leonardo ficou entre os 19 melhores atletas do mundo. “Foi minha primeira experiência em um Mundial e consegui bater novamente o recorde mineiro, que já era meu”, conta. Ele também associa sua trajetória ao desenvolvimento da modalidade em Minas Gerais. “Se não estiver enganado, fui o primeiro atleta a passar dos 300 kg no levantamento terra no estado”, recorda. O feito ocorreu em 2021, em Juiz de Fora, durante um evento exclusivo da prova.
Em relação ao cenário da prática em Juiz de Fora, o atleta avalia que o powerlifting ainda está em processo de expansão. “O conhecimento sobre o esporte cresceu, mas ainda faltam espaços adequados”, aponta. Atualmente, treina na Ironside Centro de Treinamento e conta com apoio de profissionais da saúde e parceiros externos. A rotina é intensa. “Treino cerca de oito vezes por semana, muitas vezes em dois períodos. Tem dia que o treino passa de três horas”, relata. O acompanhamento nutricional faz parte do processo. “Quando comecei a ter suporte profissional, a diferença foi enorme. Sono e alimentação influenciam diretamente o rendimento.”
‘A força protege o corpo’
Ao falar sobre lesões, Leonardo reforça o papel do treinamento de força. “Quando bem orientada, a força protege o corpo. Quanto mais preparado você está, menor o risco no dia a dia”, defende. Sobre o uso de esteroides anabolizantes, mantém posição clara. “Compito em uma federação com controle antidoping e acredito no jogo limpo. Respeitar as regras faz parte.”
Para 2026, Leonardo optou por reduzir o número de competições para se preparar melhor. Ele tem como principal meta vencer o Campeonato Brasileiro, previsto para março.


