O número de pedidos de seguro-desemprego em Juiz de Fora explodiu em 2013. No primeiro trimestre deste ano foram feitos 5.261 requerimentos, o que corresponde a mais de 33% do total contabilizado em 2012 (15.801), conforme dados disponibilizados pela Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego (Sete). Com relação ao período de janeiro a março do ano passado, os pedidos mais que triplicaram (ver arte). Os setores de serviços, comércio, indústria, construção civil e agropecuária foram, nesta ordem, os que tiveram maior quantidade de profissionais que deram entrada no benefício.
A situação chama atenção, de forma especial, pelo momento que a cidade vive, com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontando aquecimento do mercado de trabalho juiz-forano e empresários e comerciantes destacando a falta de mão-de-obra como um dos principais desafios a serem vencidos. Pelo Caged, o município teve saldo positivo na criação de empregos formais (com carteira assinada) no primeiro trimestre de 2013, um total de 971 novas vagas. Os setores de indústria de transformação e construção civil ampliaram as novas oportunidades em comparação com o mesmo período do ano passado. Já o segmento de serviços apresentou pequena redução do saldo, ainda positivo. Apenas o comércio registrou maior número de demissões ante as contratações, o que também ocorreu entre janeiro e março de 2012.
Na avaliação do economista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Mário Rodarte, o primeiro trimestre é responsável pelo desaquecimento de alguns setores da economia. "Nós não podemos olhar o resultado do Caged de forma unificada, pois temos que entender a variação que ocorre nas diferentes áreas da cadeia produtiva. Alguns estão contratando, outros não. O público demitido irá solicitar o seguro-desemprego", analisa. "O fato é que o aumento do pedido de benefícios não está só atrelado ao período de crise, mas também ao de aquecimento do mercado, já que a rotatividade aumenta com o pleno emprego."
O economista da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Wilson Rotatori, alerta que o fato de haver oportunidades de emprego não significa que as vagas serão preenchidas. "O empresário pode não encontrar mão de obra qualificada e ter dificuldades em contratar. A rotatividade é maior entre os menos qualificados."
De acordo com a superintendente de Política de Geração de Emprego da Sete, Lígia de Oliveira Lara, a ampliação da rede de atendimento no município pode ter contribuído para o aumento da demanda. "No início do ano passado tínhamos apenas uma unidade do Sistema Nacional de Emprego (Sine) para cadastrar as pessoas que solicitavam o seguro, agora temos duas. Esperávamos que a procura dos trabalhadores fosse maior, mas não tanto como apontado pelos dados", diz.
Na avaliação da diretora da Sete Regional da Zona da Mata, Martha Schmidt, o aquecimento do mercado de trabalho interfere na demanda do seguro-desemprego. "O crescimento das oportunidades aumenta a rotatividade. Com isso, mais pessoas buscam o benefício", afirma. Segundo ela, o grande entrave da situação ocorre quando os segurados deixam de se recolocarem no mercado. "O problema é que muitos trabalhadores não abrem mão do seguro-desemprego, pois sabem que a oferta é grande. Em geral, eles recebem o benefício o máximo que podem para só depois tentarem novo emprego."
Benefício virou negócio, diz Fiemg
Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Zona da Mata, o seguro-desemprego "tornou-se um negócio". "Os trabalhadores que ganham salários mais baixos preferem receber o benefício a encontrarem novo emprego. Muitos conciliam o seguro com alguma atividade informal para incrementar a renda", diz o presidente da entidade, Francisco Campolina. Para ele, o aumento do número de seguros-desemprego concedidos justifica a dificuldade de contratação de mão de obra em vários setores econômicos. "Falta pessoal para as indústrias de confecção, alimentação, construção civil e metal mecânica", enumera.
O presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), entidade que representa também o setor de serviços, Emerson Beloti, concorda. "Também enfrentamos grandes dificuldades para contratar". Ele acredita que a política do benefício deveria ser revista. "O seguro foi criado quando o país tinha uma taxa muito alta de desemprego, hoje vivemos uma realidade diferente", analisa. "Há muitas pessoas que se acomodam com o benefício e deixam para procurar emprego quando para de recebê-lo." Para Beloti, deveria haver uma readequação conforme a faixa etária do trabalhador. "Aqueles que enfrentam maior dificuldade para encontrar emprego por conta da idade poderiam até receber mais parcelas. Para as pessoas mais novas poderia haver redução do tempo de benefício", sugere.
