Como o mar, sua inspiração maior para o primeiro álbum autoral, "Império de Sal", o cantor e compositor Dudu Costa está em constante movimento. Nesta quinta, o músico apresenta uma canção inédita em show integrante do Musicamamm, às 20h, no Mamm (Rua Benjamin Constant 790 Centro). "As composições não têm hora para acontecer. Acabei de terminar duas com meu mais novo parceiro, o pianista Cacaudio, e uma delas vai estar no show do Mamm, recém-saída do forno", conta Dudu.
Para o artista, o fortalecimento da cena local tem contribuído muito para que os músicos continuem produzindo, algo que ele atribui ao Encontro de Compositores, realizado mensalmente, do qual Dudu participa ativamente. "As pessoas precisam saber que a música popular vai a todo vapor em termos de criação, mesmo que as portas do grande mercado estejam fechadas para nós. Estamos criando os nossos nichos, o nosso público, e trabalhando com empenho na conscientização sobre a importância do trabalho autoral e da diversidade de propostas culturais."
Segundo Dudu, as leis de incentivo são grandes aliadas nesta cruzada, já que criam meios para que trabalhos autorais sejam gravados, como aconteceu com "Império de Sal", que teve o apoio da Lei Murilo Mendes. "O disco não teria sido produzido sem a lei. Por mais que haja mais acesso às tecnologias de gravação, ainda é preciso investir muito dinheiro."
Ainda este mês, o músico deságua o sal de seu império em outras correntezas, iniciando uma turnê que aporta, no dia 25, em Viçosa, na Casa Artur Bernardes. "Estamos de olho nos editais de circulação e festivais que vêm por aí. Também estamos fazendo contato com casas em Belo Horizonte, Rio e São Paulo." Para Dudu, a recepção do trabalho, distribuído no bom e velho estilo "faça você mesmo", tem sido muito positiva. "Muita gente tem me abordado para comentar sobre o quanto se sente emocionada com as músicas e o quanto algumas composições já se misturaram a sua história e experiências pessoais. Isso é fantástico."
O envolvimento pessoal do público, embora possa ter surpreendido o músico, pode ser um reflexo da emoção de algumas faixas, que trazem várias faces do artista. Em "Nossa canção", ele se mistura ao Dudu pai, com a participação vocal de sua filha Elis, na época com apenas 7 meses. "Janela do céu", inspirada em uma viagem a Ibitipoca, e "São José del Rey", composta em Tiradentes, transbordam a mineiridade do cantor, em contraponto a tantas imagens marítimas. "Sou um mineiro fascinado pela imensidão do mar. Por sua beleza e solidão imensa. Pelo universo daqueles que vivem e extraem o seu sustento dele."
DUDU COSTA
Hoje, às 20h
Mamm (Rua Benjamin Constant 790 Centro).
