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Juiz-forano do mundo

Como cravista, há vários anos, o juiz-forano Bruno Procópio, de 36 anos, radicado em Paris, dedica-se a tocar peças do compositor barroco Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764). A afinidade com o repertório do artista rendeu ao também maestro lugar de destaque no cenário da música erudita em 2013, já que ele é um dos poucos a reger a Simón Bolívar Symphony Orchestra of Venezuela, grupo que consagrou o renomado maestro Gustavo Dudamel. O álbum, lançado na semana passada, e gravado antecipando as comemorações dos 250 anos de morte do compositor francês, leva assinatura do selo Paraty, de sua propriedade. Com apenas duas semanas de promoção, "Rameau in Caracas" foi escolhido o "disco da semana" no jornal "Le Figaro" e na rádio Classic FM, do Reino Unido. Procópio também é o responsável pelo site classiquenews.com, referência em música clássica na França.

O contrato com a Simóm Bolívar não só o eleva à posição de maestro convidado permanente, com previsão de que outro trabalho saia do forno em 2014, como também situa o Paraty entre os selos discográficos do El Sistema, dando ao cravista a oportunidade de atuar como produtor de inúmeras outras orquestras. Em março, o brasileiro também lançou no mercado internacional, à frente do coro L’Échelle, o disco "Outre-mers", cuja obra principal é "Missa grande", do autor luso-brasileiro Marcos Portugal.

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"Foi muito agradável dividir a Sala, durante as gravações, com o maestro Dudamel, que também esteve em Caracas para uma série de concertos. Não poderia contar com melhor anfitrião", comenta. "É uma grande honra para mim elaborar e reger uma das mais badaladas orquestras do mundo. O El Sistema pretende expandir o repertório que os caracteriza, e esse projeto faz parte da primeira grande ação no sentido de abordar novos roteiros com maestros especializados", diz Procópio, fazendo referência ao programa que conta com uma estrutura que gira em torno de "chaconas"(gênero musical) de "Castor et Pollux" e "Indes Galantes". "Para cada ópera ou Balé, comecei com a abertura e deixei as peças principais que caracterizam a suite de danças (gênero musical comum no século XVIII), como as sarabandas, gavottes e tambourins, criando um programa variado e estimulante." Um set list audacioso para um grupo que toca repertório sinfônico do século XIX e, de uns tempos para cá, canções contemporâneas.

"Para uma pessoa que vem do meio da música antiga, é uma oportunidade colossal, já que eles não costumam dar chances para quem não vem do universo de maestros, sem contar que eles têm contrato de exclusividade com o Dudamel e com o selo alemão. Eles abriram uma exceção para mim."

Os laços entre Procópio e a Simón Bolívar começaram a se estreitar em 2010, quando ele foi convidado, pela primeira vez, para gravar um disco com peças de Vivaldi. Na ocasião, foi dado o passo inicial para o convite que culminou no projeto inteiramente dedicado à música barroca. De acordo com o jovem maestro, a gravação e os concertos foram realizados com 70 músicos, número que seria próximo à quantidade de integrantes que Rameau também tinha em mãos. "Pude contar com os melhores solistas do El Sistema e com os mais experientes", conta.

Procópio saiu de Juiz de Fora em 1994, aos 17 anos. Na época, segundo ele, o objetivo era estudar no Conservatório de Paris. A oportunidade surgiu quando participou de um curso, em Paraty/RJ, lugar onde conheceu o cravista e professor Christophe Rousset, que o convidou a prestar o concurso de admissão. Seis meses foram o suficiente para aprender francês e ser selecionado em primeiro lugar. "Não me preocupo com títulos, pois não preciso deles para realizar uma carreira internacional como músico. Aliás, só fui buscar o título no Conservatório em 2007, pois, para pedir a nacionalidade francesa, precisava mostrar o que tinha feito durante esses anos todos", confessa.

Em 2011, Procópio se apresentou em Juiz de Fora durante o Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, promovido pelo Pró-Música. Em 2010, a convite do Museu Mariano Procópio, integrou a programação da exposição "Doce França". Sem ter previsão de volta, entrega o que sua terra natal representa ele, apesar da distância que os separam. "É a cidade onde nasci e vivi minha adolescência, lugar onde vive toda a minha família. O que mais me faz falta é a facilidade de encontrar tudo em apenas três quarteirões. É um município de médio porte que tem um centro muito vivo e dinâmico."

Atualmente o maestro é professor convidado de universidades como Unirio, Conservatório Central de Pequim, na China, Universidad Simón Bolívar, em Caracas, e Universidad Catolica de Santiago de Chile. Sua última passagem pelo Brasil foi em dezembro de 2012, fechando a programação do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira Ópera e Repertório. "Meu sonho é ter reconhecimento no meu próprio país e desenvolver mais projetos aí. Mesmo eu tendo regido a Orquestra Sinfônica, isso ainda é um fato isolado na minha carreira. Existem poucos interlocutores no Brasil, poucas orquestras e poucos organismos que viabilizem a minha volta com mais frequência."

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