Brasília recebe, até esta sexta-feira (27), a 6ª Conferência Nacional das Cidades, para discussão de propostas que orientarão o desenvolvimento urbano nos próximos anos. O município de Juiz de Fora, entretanto, não enviou representantes do poder público para o encontro. A ausência ocorre em meio ao cenário de emergência provocado pelas chuvas na cidade e na Zona da Mata, com registros de mortes, desaparecidos, pessoas resgatadas e abertura de abrigos, além de alertas de risco de deslizamentos e novos alagamentos.
A Conferência, realizada pela última vez em 2013, tem como objetivo reunir representantes do poder público, sociedade civil, movimentos sociais, setor empresarial e especialistas para debater questões como controle social, regularização fundiária, cooperação interfederativa, sustentabilidade, clima, transformações digitais, acessibilidade tecnológica e segurança cidadã. Entre os temas, o debate sobre adaptação climática e prevenção de desastres se conecta diretamente às ocorrências recentes em Juiz de Fora, onde os temporais elevaram o acumulado mensal para patamar acima do esperado e mantiveram a cidade sob instabilidade e avisos de chuva persistente.
Apesar de ser um espaço participativo e aberto a todos, apenas os delegados eleitos em suas regiões podem votar nas propostas apresentadas. A eleição de delegados acontece em três fases: no primeiro momento, o município realiza sua própria conferência – que, em Juiz de Fora, aconteceu nos dias três e quatro de junho de 2025. Nesta data, representantes da cidade foram selecionados para participar da Conferência Estadual, realizada em Belo Horizonte entre dias seis e nove de agosto de 2025.
Entre os delegados eleitos para representar o estado de Minas Gerais, estavam quatro juiz-foranos: Julia Melo Castro e Nicolas Nascimento Silva, ambos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Participação Popular (SEDDUP); Filipe Oliveira Paiva, representante das entidades sindicais; e Denyse Pereira Neves Delgado, que representa as entidades profissionais, acadêmicas e de pesquisa. No entanto, apenas Felipe e Denyse foram para Brasília participar da Conferência.
Para a delegada Denyse Delgado, apesar da participação dos representantes do poder público na Conferência não alterar a situação climática de Juiz de Fora, esta seria uma oportunidade para o município falar sobre o seu território e defender e trazer novas ideias para o Plano de Desenvolvimento Urbano da cidade. No que se refere à situação das chuvas, ainda durante a Conferência Municipal, realizada em 2025, Juiz de Fora já havia registrado propostas para frear a crise climática. O tema ganhou urgência com os alertas recentes da Defesa Civil e com a sequência de ocorrências na cidade, incluindo pontos de alagamento e risco de deslizamentos.
Questionada, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que optou por não deslocar representantes para a Conferência Nacional das Cidades porque as equipes eleitas para representar o município estão integralmente dedicadas à elaboração do Plano de Estruturação Urbana Sustentável (PEUS).
“Entendemos que participar de debates nacionais é importante. No entanto, nossa prioridade estratégica neste momento é assegurar que Juiz de Fora tenha um planejamento sólido, atualizado e executável. Sem uma base legal e técnica consistente, qualquer proposta futura, por mais relevante que seja, corre o risco de se tornar apenas mais uma boa ideia no papel”, destacou a PJF em nota.
Na região da Zona da Mata, formada por mais de 150 municípios, apenas sete realizaram as Conferências Municipais das Cidades: Juiz de Fora, Ewbank da Câmara, Goianá, São João Nepomuceno, Itamarati de Minas, Cataguases e Santana do Cataguases. Este era um critério classificatório para eleição de delegados para discussão nacional, o que significa que apenas representantes destas localidades concorreram às vagas na delegação mineira. Em paralelo, a região também tem concentrado o esforço de resposta aos danos do período chuvoso, com buscas e atendimentos a vítimas em diferentes municípios.
Apesar da baixa representatividade na discussão, de acordo com Denyse, Juiz de Fora está com um espaço facilitado nas discussões graças à visbilidade nacional recebida por decorrência das chuvas. A delegada ainda afirmou que o evento manifestará, na sexta-feira (27), uma moção de apoio à região da Zona da Mata.
Confira a nota da PJF na íntegra
“A Prefeitura de Juiz de Fora optou por não deslocar representantes para a Conferência Nacional das Cidades porque, neste momento, as equipes eleitas para representar o município estão integralmente dedicadas à elaboração do Plano de Estruturação Urbana Sustentável (PEUS).
O PEUS é um instrumento estruturante, com contrato vigente e prazo definido para conclusão. Trata-se de um trabalho técnico fundamental para organizar o crescimento da cidade, consolidar diretrizes urbanísticas e garantir segurança jurídica para investimentos públicos e privados.
Entendemos que participar de debates nacionais é importante. No entanto, nossa prioridade estratégica neste momento é assegurar que Juiz de Fora tenha um planejamento sólido, atualizado e executável. Sem uma base legal e técnica consistente, qualquer proposta futura, por mais relevante que seja, corre o risco de se tornar apenas mais uma boa ideia no papel.
Estamos trabalhando para que a cidade esteja preparada, qualificada e juridicamente organizada para transformar diretrizes em ações concretas, com capacidade real de implantação.
Nosso compromisso é com resultados efetivos e com um planejamento que permita à cidade sair do discurso e avançar na execução.”
*Estagiária sob supervisão da editora Carolina Leonel

