
Sem pista exclusiva, skatista se arrisca entre os ônibus na Avenida Rio Branco
Juiz de Fora vivencia o aumento expressivo no número de skatistas que frequentam não só as pistas para o esporte, mas as ruas da cidade. O presidente da Associação Juiz-forana de Skate, Gláucio Santos Silva, diz que não há dados sobre a quantidade de skatistas no município, mas confirma o crescimento da prática na cidade. Baseado nesta realidade, o especialista em transporte e trânsito José Luiz Britto Bastos publicou um artigo na Tribuna sobre o assunto, na terça-feira. Para ele, o skate não é um meio de transporte, mas um esporte que deve ter local adequado. A publicação provocou polêmica nas redes sociais, já que os skatistas defendem o uso do objeto como meio de locomoção.
Essa é a realidade do estudante João Marcos de Oliveira, 16 anos, que utiliza o skate para se deslocar entre o Bairro Nova Era, na Zona Norte, onde mora, para outras regiões da cidade. Ele garante que toma bastante cuidado no trânsito, mas admite que os riscos são grandes. No entanto, considera que, nem sempre, o skatista está errado. "Quando estamos no skate, o povo xinga. Às vezes, é o próprio motorista que está errado e põe a culpa na gente", desabafa.
Já Britto diz ser "terminantemente contra o skate na rua". "Reitero tudo o que falei no meu artigo. Defendo a segurança das pessoas. Temos que evitar acidentes de trânsito", pondera. Para o especialista, o objeto não é veículo. Segundo ele, quem está no skate fica totalmente exposto. "É um problema sério para transporte. Não vou ficar calado em uma situação destas. Não tenho nada contra skate, desde que em local apropriado e não na via pública."
"É muito perigoso e delicado falar sobre isso. Porque não envolve apenas os skatistas. Precisamos lembrar também dos motoristas", acredita Gláucio. Ele acrescenta que muitos adolescentes utilizam o skate nas ruas, inclusive porque o esporte estaria "na moda", mas não têm experiência. "Nossa orientação é para ter prudência. Não andar no meio da Avenida Rio Branco, nem em horários de pico. Orientamos a não fazerem isso de jeito nenhum, nem na faixa de ônibus e nem na faixa de carro. O trânsito está caótico. É difícil andar de carro, o que dirá de skate." No entanto, ele acredita que há muito preconceito. "Dificilmente vemos acidente. É um tabu a ser quebrado. Bicicleta passando não assusta tanto."
A chefe do Departamento de Engenharia de Tráfego da Settra, Sheila Menini, explica que não existe legislação que regulamente a prática. Segunda ela, se o esporte fosse visto como meio de transporte, seria necessário que seus usuários obedecessem todas as leis de trânsito. "O que a gente vê hoje não é isso." Sheila acrescenta que já existe projetos para implantação de duas ciclovias na cidade, espaços que poderiam ser usados não só para ciclistas, mas também para a prática do skate. Uma delas seria na Via São Pedro, entre a Rua Roberto Stigert e a via de acesso ao Spinaville, no Bairro São Pedro, Cidade Alta. Já na Zona Norte, o projeto contempla o trecho do início do Bairro Santa Cruz até Benfica.
Segundo a assessoria de comunicação do Ministério das Cidades, responsável pelo trânsito dentro dos municípios, skate, patins e patinetes são considerados brinquedos. Assim, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não discorre sobre estas práticas.
Pistas para usuários estão malconservadas
Para o presidente da Associação Juiz-forana de Skate, Gláucio Santos Silva, uma das explicações para que os skatistas estejam nas ruas é a falta de áreas de lazer. Segundo ele, são aproximadamente 30 pistas na cidade, mas somente três adequadas: a do Bairro Vitorino Braga, na região Sudeste, a da Praça Antônio Carlos, no Centro, e a mais recente, da UFJF. "A da UFJF não tem iluminação noturna. A do Vitorino está toda esburacada, e ainda é a melhor da cidade", reclama Gláucio. A assessoria de comunicação da Empav disse que um levantamento dos problemas de todas as praças, inclusive as com pistas de skate, está sendo realizado. A previsão é de que, a partir de junho, o trabalho de melhoria seja iniciado.
Novos espaços
A pista da UFJF está pronta desde janeiro, mas ainda não foi inaugurada oficialmente. O reitor da UFJF, Henrique Duque, explica que a instituição tem alunos e servidores skatistas e que era necessário um espaço para a prática. Há ainda a promessa de construção de uma pista no Parque da Lajinha, cuja verba de R$ 250 mil – com contrapartida de R$ 21.719,13 da Prefeitura – está disponível até outubro. O secretário de Esportes, Francisco Canalli, explica que a nova gestão não teve parecer ambiental favorável para a construção no local. Assim, a pista vai ser feita próximo ao Estádio Municipal. "Vamos correr para elaboração do projeto adequado para essa área", explica. Depois disso, a nova projeção deve ser reapresentada ao Ministério dos Esportes para a liberação da construção.

