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Cinco anos após início da vacinação, cobertura contra Covid segue baixa em Juiz de Fora

Vacinacao Covid 19 Tania RegoAgencia Brasil
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Em um primeiro momento, as doses foram distribuídas entre aqueles que trabalham no setor de imunização da cidade. Em seguida, os trabalhadores e residentes das Instituições de Longa Permanência de Idosos e os trabalhadores dos serviços de saúde públicos e privados. (Foto: Leonardo Costa)

Cinco anos após o início da vacinação contra a Covid-19, em 20 de janeiro de 2021, a cobertura em Juiz de Fora segue abaixo da ideal. Dados do Painel de Cobertura Vacinal do Ministério da Saúde mostram que, até 29 de janeiro de 2026, a vacina bivalente — voltada à proteção contra a cepa original e uma subvariante da Ômicron — alcançou 21,93% de cobertura no município.

No mesmo período, apenas 17,49% da população registrava quatro doses da vacina polivalente, desenvolvida para ampliar a proteção ao combinar o vírus original com, ao menos, três cepas. O percentual sobe para 52,02% entre aqueles com três doses e chega a 84,90% no esquema com duas doses. O levantamento considera a aplicação por local de residência, com base no endereço informado no Cartão Nacional de Saúde (CNS).

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O infectologista Marcos Moura avalia que a baixa adesão à vacinação é motivo de preocupação, sobretudo porque ainda há um grupo significativo de pessoas — principalmente crianças — que não recebeu nenhuma dose. Segundo ele, a circulação contínua do vírus favorece o surgimento de novas mutações, que tendem a aumentar a transmissão e podem tornar a doença mais agressiva.

Em 2025, menos de quatro em cada dez doses distribuídas pelo Ministério da Saúde a estados e municípios foram utilizadas. Ao todo, 21,9 milhões de doses foram enviadas, mas apenas cerca de 8 milhões acabaram aplicadas.

Dados da plataforma InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam impactos associados à baixa adesão. Em 2025, ao menos 10.410 pessoas evoluíram para quadros graves após infecção por coronavírus, com cerca de 1,7 mil mortes. Os números consideram apenas casos confirmados por teste laboratorial e podem aumentar devido à inserção tardia de registros no sistema de vigilância do Ministério da Saúde.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reforça que a manutenção do esquema vacinal contra a Covid-19 é uma das principais medidas para reduzir o risco de internações e mortes. A imunização integra o Calendário Nacional de Vacinação e ocorre de forma contínua nas unidades de saúde, sem se limitar a campanhas sazonais.

Quem deve se vacinar e com que frequência

Na rede pública, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza atualmente a vacina Pfizer/Comirnaty em três formulações: para crianças de 6 meses a menores de 5 anos (frasco com tampa amarela), crianças de 5 a 11 anos (tampa azul) e pessoas a partir de 12 anos (tampa cinza).

Segundo a SES-MG, o esquema de aplicação varia conforme a faixa etária e o grupo prioritário. Para crianças de 6 meses a menores de 5 anos — incluídas no Calendário Nacional de Vacinação desde 2024 — é indicado um esquema primário de três doses: a primeira aos seis meses de idade, a segunda quatro semanas depois e a terceira oito semanas após a segunda.

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Já pessoas com 5 anos ou mais, sem fatores de risco, o esquema vacinal prevê uma dose anual para quem já completou o esquema básico ou nunca se vacinou. Pessoas não vacinadas podem iniciar com uma ou duas doses, conforme idade e histórico. Para pessoas imunocomprometidas a partir de 5 anos (grupos prioritários) o protocolo prevê esquema primário especial, com duas ou três doses conforme a idade, seguido de reforços semestrais.

Entre idosos com 60 anos ou mais, a recomendação é de reforço a cada seis meses com vacina de RNA mensageiro, com o objetivo de reduzir o risco de formas graves da doença e hospitalizações. Gestantes devem receber uma dose, em qualquer período da gravidez, com imunizante disponível pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Também há indicação de reforço anual para outros grupos prioritários que não se enquadram no intervalo semestral, como trabalhadores da saúde; residentes e cuidadores de instituições de longa permanência; povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas; pessoas com deficiência permanente; pessoas com comorbidades; população privada de liberdade; pessoas em situação de rua; além de adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas.

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Queda de casos em Juiz de Fora não elimina risco, alerta infectologista

Juiz de Fora registrou queda de 80,39% nos casos confirmados de Covid-19 em 2025, com 203 registros, na comparação com 2024, quando foram contabilizados 1.035 casos. Os dados constam no painel de monitoramento da SES-MG, atualizados até 22 de dezembro de 2025.

Em relação a 2020, primeiro ano da pandemia, quando o município somou 13.444 confirmações, a redução chega a 98,49%.

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O número de mortes também apresentou queda. Em 2025, foram confirmados oito óbitos por Covid-19 na cidade, 68% a menos que em 2024, quando houve 25 registros. Na comparação com 2020, a redução alcança 98,52%, frente às 542 mortes contabilizadas naquele ano.

Apesar do recuo nas internações, o cenário ainda exige atenção, segundo o infectologista Marcos Moura. Ele explica que os casos mais  notificados costumam ser os graves, o que não significa que o vírus tenha deixado de circular.

De acordo com o especialista, a Covid-19 segue atingindo principalmente grupos de risco, como pessoas nos extremos de idade e aquelas com comorbidades. Moura acrescenta que, com a vacinação – ainda que com cobertura aquém do ideal -, muitos quadros leves deixam de ser identificados. Além disso, a testagem tem se concentrado em pacientes internados.

Perfil dos casos confirmados nos últimos cinco anos

No recorte acumulado dos últimos cinco anos, o painel epidemiológico indica que os casos confirmados de Covid-19 em Juiz de Fora se concentraram principalmente entre adultos jovens e de meia-idade, com destaque para a população de 30 a 49 anos.

A faixa etária de 30 a 39 anos reúne a maior incidência, com 11,1% dos casos entre mulheres e 9,7% entre homens, seguida pelo grupo de 40 a 49 anos, que concentra 10% das confirmações entre mulheres e 8,7% entre homens.

Do total de 78.842 casos confirmados no período, as mulheres representam 54,74% dos registros, enquanto os homens somam 45,26%. A predominância feminina aparece na maioria das faixas etárias adultas, com equilíbrio apenas entre crianças de 0 a 9 anos, grupo que concentra 1,4% dos casos em ambos os sexos.

Programa Mineiro de Imunizações reforça ações no estado

Como parte das estratégias para ampliar a cobertura vacinal, o Governo de Minas instituiu, em 2025, o Programa Mineiro de Imunizações (PMI), voltado ao fortalecimento das ações de vacinação em todo o estado.

De acordo com a SES-MG, o programa estabelece diretrizes para adesão dos municípios, além de critérios de financiamento e execução das políticas de imunização, incluindo o enfrentamento de doenças imunopreveníveis, como a Covid-19.

O PMI prevê investimento global de R$ 526.376.678,80, com repasse anual de R$ 105.275.335,76 aos 853 municípios mineiros. Os recursos são destinados ao reforço das ações regulares, ampliação de estratégias e realização de campanhas de vacinação.

A vigência do programa vai de 2025 a 2029, com a proposta de ampliar a capacidade operacional das cidades e contribuir para a redução de casos graves e mortes evitáveis por meio da imunização.

*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa

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