O mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, convida a uma reflexão sobre os múltiplos papéis desempenhados pelas mulheres na sociedade contemporânea. Entre carreira, família, vida social e responsabilidades domésticas, muitas acabam enfrentando uma pressão silenciosa para serem excelentes em todas as áreas ao mesmo tempo. É nesse contexto que surge o conceito da Síndrome da Mulher Maravilha, um fenômeno associado à autocobrança excessiva e à dificuldade de reconhecer limites.
Em entrevista ao Tribuna no Ar, a especialista em liderança e empreendedorismo feminino Ylana Miller explicou que essa busca constante por desempenho perfeito pode levar ao esgotamento físico e emocional. Segundo ela, muitas mulheres vivem como se precisassem manter um “boletim nota 10” em todos os campos da vida. O resultado, frequentemente, é uma sobrecarga que impacta diretamente a saúde mental, podendo provocar ansiedade, depressão e até sintomas físicos persistentes, como dores crônicas.
A especialista aponta que essa pressão tem raízes tanto em fatores sociais quanto em aspectos relacionados à forma como a responsabilidade é internalizada ao longo da vida. Durante décadas, as mulheres foram estimuladas a assumir múltiplas funções sem necessariamente dividir as tarefas ou pedir ajuda. Com o tempo, essa expectativa se transforma em um padrão interno difícil de quebrar.
Síndrome da Mulher Maravilha afeta a saúde mental das mulheres
Ylana Miller relata que, em sua própria trajetória, uma das principais lições foi compreender que não é possível dar conta de tudo ao mesmo tempo. Aceitar que “algum pratinho vai cair”, como ela define, não representa fracasso, mas sim um exercício de liberdade e de equilíbrio emocional. Para ela, reconhecer limites é um passo essencial para preservar a saúde e manter relações mais saudáveis com o trabalho e com a vida pessoal.
Outro ponto fundamental discutido na entrevista é a importância das redes de apoio. Dividir responsabilidades com parceiros, amigos, familiares ou até vizinhos pode aliviar a pressão cotidiana e criar uma rotina mais sustentável. Além disso, reservar momentos de lazer e descanso também tem impacto direto na regulação de neurotransmissores ligados ao bem-estar, como a serotonina e a dopamina.
Para mulheres que se sentem constantemente sobrecarregadas, a especialista recomenda pequenas mudanças práticas no cotidiano. Incluir hobbies na agenda, dedicar tempo ao ócio criativo e buscar acompanhamento psicológico são caminhos possíveis para recuperar o equilíbrio. Ylana Miller lembra ainda que muitas faculdades de psicologia oferecem atendimentos gratuitos ou a baixo custo, o que pode ampliar o acesso ao cuidado emocional.
A reflexão proposta pela Síndrome da Mulher Maravilha vai além do indivíduo e toca em uma mudança cultural mais ampla. Repensar a forma como o sucesso e a produtividade são medidos pode abrir espaço para relações mais saudáveis com o trabalho, com a família e consigo mesma.
No mês dedicado às mulheres, a mensagem central é clara: cuidar de si, respeitar os próprios limites e permitir-se pausas não são sinais de fraqueza, mas atitudes essenciais para uma vida mais equilibrada — e também para educar as próximas gerações a viverem com menos cobrança e mais humanidade.

