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Crianças e jovens plantam mais de duas mil mudas nativas da Mata Atlântica em projeto mineiro

Criancas e jovens plantam mais de duas mil mudas nativas da Mata Atlantica em projeto mineiro 2

Foto: Arquivo pessoal

Criancas e jovens plantam mais de duas mil mudas nativas da Mata Atlantica em projeto mineiro 1
Todas as espécies são produzidas no viveiro do IEF de Lima Duarte, em parceria com a Prefeitura municipal. / Foto: Arquivo pessoal

Ipês de várias cores, sapucaias, jatobás e cedros estão entre as mais de duas mil mudas da Mata Atlântica que serão plantadas nesta sexta-feira (14) pelo projeto “Moleque do Viveiro”, que há quase 30 anos leva educação ambiental para crianças e jovens de escolas do interior de Minas Gerais. A iniciativa nasceu em 1996, no município de Carlos Chagas, no Vale do Mucuri, a partir do desejo pessoal do engenheiro florestal Tales Fonseca, do Instituto Estadual de Florestas (IEF), de aproximar as novas gerações à natureza.

No caminho para Conceição do Ibitipoca, em Lima Duarte, a cerca de 80 quilômetros de Juiz de Fora, fica o vilarejo de São José dos Lopes, com pouco mais de 500 habitantes. É ali que o “Moleque do Viveiro” realiza parte do novo plantio. Metade das mudas será plantada nas terras do distrito, e a outra metade no Mogol, um vilarejo histórico que faz parte do Ibiti Projeto, iniciativa socioambiental voltada à regeneração e à criação de um modelo sustentável de convivência entre pessoas e natureza, promovendo a preservação ambiental na região próxima ao Parque Estadual do Ibitipoca.

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Nos Lopes, a ação vai acontecer em uma propriedade do Clube Up, projeto social que promove inclusão e desenvolvimento de pessoas com necessidades específicas. Participam do plantio crianças e jovens de diferentes regiões de Minas, como Lima Duarte, Santa Bárbara, Pedro Teixeira e Bom Jardim, além de estudantes do município de Quatis, no interior do Rio de Janeiro.

As áreas escolhidas para receber as mudas hoje são pastos degradados. O terreno foi preparado com curvas de nível e pequenas barragens, para reter água e dar fôlego à nova vegetação. A expectativa é que, com o tempo, o espaço volte a se cobrir de verde e ganhe vida novamente. Todas as espécies são produzidas no viveiro do IEF de Lima Duarte, em parceria com a Prefeitura municipal. 

Cuidado com a terra

Antes mesmo de o primeiro grupo de crianças chegar, assim como nos Lopes, o trabalho de reflorestamento já havia começado no Mogol. O solo da área, por muito tempo usado como pasto para criação de gado, passou por processo de preparo para que a terra pudesse, novamente, receber vida. “Reflorestar exige planejamento e paciência”, explica a bióloga do Ibiti Projeto Maria Eduarda Caçador Branco, que integra a equipe que vai coordenar as atividades de plantio no Mogol. “Há todo um cuidado para equilibrar o solo, evitar erosões, manter a umidade e garantir que as mudas consigam criar raízes firmes e resistir às variações do clima. É um processo que começa bem antes do plantio e segue por muitos anos depois.”

Segundo a bióloga, o objetivo vai muito além de plantar árvores, trata de reconstruir uma floresta e, junto com ela, a conexão das pessoas com a natureza. “Essa área foi historicamente degradada, mas agora vai voltar a abrigar as relações ecológicas que existiam aqui há décadas”, conta. 

Essa é a primeira experiência de Maria Eduarda em um reflorestamento ativo de grandes proporções. Ela destaca que a iniciativa vai além da recuperação ambiental, é também um exercício de educação e pertencimento. Ao plantar as mudas, as crianças vivenciam o processo de regeneração da terra e compreendem a importância de cuidar do lugar onde vivem. Para a bióloga, o aprendizado vai se multiplicar, pois cada criança se torna uma “semente” capaz de espalhar o que aprendeu, fortalecendo a relação entre comunidade e meio ambiente. 

Corredores ecológicos

Francisco Altomar Neto, um dos responsáveis pela ONG Clube Up, acrescenta que a iniciativa vai muito além do plantio. Ele cedeu parte de sua propriedade para que a ação acontecesse no distrito dos Lopes e argumenta que o reflorestamento é importante para criar corredores ecológicos. Como colocado por Francisco, pequenas manchas reflorestadas, sem conexão uma com a outra, têm qualidade ambiental baixíssima. Dessa maneira, o objetivo é formar áreas extensas onde o ecossistema possa operar plenamente, permitindo que a fauna prospere e a floresta se torne mais exuberante. “É fundamental que as pessoas se conscientizem e partam para a atitude de reflorestar, preservando nascentes e ampliando a área reflorestada para criar conexões entre as manchas de florestas”, diz em entrevista concedida em julho à Tribuna. 

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Essa recuperação de florestas, no entanto, está diretamente ligada a uma mudança de consciência. Ele vê o projeto como uma forma de fazer com que os jovens, os verdadeiros “protagonistas”, entendam que o planeta é a “nossa casa” e que ela está “muito mal cuidada”. Ao envolver as crianças, a iniciativa busca criar uma sensação de responsabilidade para que os pais também possam se sentir sensibilizados, iniciando um ciclo de cuidado para as novas gerações. 

Foto: Arquivo pessoal

Sementes de consciência

Atualmente, o projeto oferece às escolas da região visitas orientadas ao viveiro florestal do município. Durante as atividades, os alunos aprendem na prática conceitos como fotossíntese, relação entre solo, água e planta, produção de mudas e outros temas ligados ao meio ambiente. Ao final das visitas, são incentivados a desenvolver ações sustentáveis nas próprias escolas ou comunidades, colocando em prática o que aprenderam.

Para Tales, o sucesso está em aproximar os estudantes do conteúdo de forma vivencial, despertando neles o interesse pela natureza e o entendimento de que cada gesto pode fazer diferença. O projeto também está aberto à visitação. Escolas e pessoas interessadas em conhecer o viveiro podem agendar uma visita diretamente com Tales, pelo telefone (32) 99839-3682, que também é WhatsApp. O Viveiro Florestal de Lima Duarte fica na Rua do Horto, no Bairro Cruzeiro.

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*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa

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