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Mostra Ruy Guerra chega ao fim com sessão comentada e presença do diretor

Mostra Ruy Guerra

Os amantes da sétima arte têm encontro marcado nesta terça-feira (24) no auditório do Mercado Cultural AICE. Depois de quatro semanas revisitando títulos essenciais de um dos fundadores do Cinema Novo, a Mostra Ruy Guerra encerra sua programação às 19h com a exibição de Aos pedaços” (2020) – e a participação presencial do próprio cineasta. A sessão, gratuita, será seguida por um bate-papo que promete aproximar o público de uma das vozes mais inquietas e inventivas do audiovisual brasileiro.

Um mês de mergulho na obra de um mestre

Idealizada dentro do projeto Terça do Cinema, a mostra prestou tributo ao realizador moçambicano naturalizado brasileiro que, desde “Os Cafajestes” (1962) e “Os Fuzis” (1964), sacudiu estéticas e denunciou contradições sociais. Ao longo de junho, títulos emblemáticos – “Os Cafajestes”, “Os Fuzis” e “Ópera do Malandro” – revezaram-se na tela do auditório do Mercado Municipal, atraindo estudantes, cinéfilos e curiosos em busca de compreender como o Cinema Novo confirmou que “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” podia, sim, produzir imagens de impacto universal.

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“Aos pedaços”: um thriller existencial

No longa que fecha a programação, Ruy Guerra mistura suspense, teatro e poesia para narrar o despertar de Eurico Cruz (interpretado pelo diretor em cena). Ao encontrar um bilhete que anuncia a própria morte, o protagonista inicia uma jornada labiríntica na qual tempo, espaço e identidade se embaralham. A premissa, aparentemente simples, é pretexto para um jogo de espelhos sobre destino, memórias e paranoia – marcas de um artista que nunca se acomodou em fórmulas.

O valor de uma conversa ao vivo

Para Cesar Piva, assessor especial do Polo Audiovisual de Juiz de Fora, a presença de Ruy Guerra é símbolo de continuidade: “Nos anos 1960, o Cinema Novo inaugurou um olhar crítico e autoral sobre o Brasil. Quase seis décadas depois, poder dialogar com um dos seus fundadores é alimento para quem deseja criar imagens que provoquem o público a pensar o país.” A expectativa é de casa cheia, reforçando a vocação do Mercado Cultural AICE como ponto de encontro entre criadores e espectadores.

Como participar

Por que não perder

  1. Raridade – A agenda do diretor, aliada à sua residência fora do eixo Rio-São Paulo, torna aparições públicas uma ocasião especial.

  2. Formação – Estudantes de cinema, comunicação e artes visuais ganham acesso direto a um criador que viveu a ebulição cultural dos anos 1960 e atravessou censura, exílio e retomada.

  3. Reflexão – Em tempos de debates sobre democracia, soberania e narrativas, revisitar a obra de Ruy Guerra ajuda a entender o papel social do audiovisual.

  4. Circuito gratuito – Iniciativas como a Terça do Cinema democratizam o acesso a filmes fora do circuito comercial.

  5. Inspiração – “Aos pedaços” mostra que, aos 90 anos, é possível experimentar linguagem, provar recursos híbridos e convidar o público a montar o quebra-cabeça da existência.

Se você quer celebrar o legado do Cinema Novo e, de quebra, viver a experiência de ouvir um mestre explicar o seu ofício, chegue cedo, garanta o ingresso e embarque nessa viagem cinematográfica. Afinal, como diria Glauber Rocha, companheiro de geração de Ruy Guerra, “a luta não é somente pelas ideias; é também pela imagem”.

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