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Entre endividamento e crescimento: análise da dívida pública e política fiscal brasileira

Conjuntura e mercadosi face

A dívida pública brasileira voltou a ganhar protagonismo no debate econômico. Apesar de parecer um tema distante da vida cotidiana, ela interfere diretamente no bolso do cidadão: dos juros bancários às políticas de saúde e educação. Em 2024, o país atingiu um patamar histórico: 78,3% do PIB em dívida bruta. Em 2025, segue na mesma faixa, ocupando a terceira posição entre as 20 principais economias emergentes, atrás apenas de Egito e Argentina. O dado acende o alerta: como garantir sustentabilidade fiscal sem comprometer os investimentos sociais e a recuperação econômica?

O alto endividamento, por si só, não é necessariamente um problema. Economias como Japão e EUA operam com dívidas elevadas. O diferencial brasileiro está na falta de uma estratégia fiscal clara e crível para conter o crescimento da dívida. A cada ano em que o déficit se mantém elevado, aumenta a desconfiança dos investidores e o custo de rolagem da dívida. Isso significa menos dinheiro para políticas públicas e mais pressão sobre os juros, tanto para o governo quanto para as famílias.

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O Estado se endivida por razões legítimas: financiar infraestrutura, ampliar programas sociais ou enfrentar crises como a da pandemia. Mas o problema surge quando os gastos superam a arrecadação de forma crônica. Em 2024, o déficit primário girou em torno de 2,6% do PIB, de acordo com os dados IPEA, sem sinais claros de reversão. Ao mesmo tempo, as despesas da dívida consumiram cerca de 45% (R$2,45 trilhões) do orçamento federal em 2024, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional (STN). É um ciclo que se retroalimenta: mais dívida, mais juros, menos espaço fiscal.

Na prática, isso significa que sobram menos recursos para saúde, educação e segurança. O crédito fica mais caro, dificultando o crescimento de empresas e o consumo das famílias. E, se o cenário fiscal inspira desconfiança, o dólar sobe, os preços sobem e o poder de compra da população recua. Quem sente primeiro e mais forte é sempre a base da pirâmide econômica.

Por isso, o debate sobre a dívida pública precisa ir além dos números. Trata-se de uma escolha política sobre prioridades e futuro. Não se trata de cortar por cortar, mas de gastar melhor, com foco em resultados e responsabilidade. O desafio está em encontrar o equilíbrio: investir no presente sem comprometer as gerações futuras. O tempo para isso é agora, antes que o custo da inércia fiscal se torne ainda mais alto para o país.

*Sob a supervisão dos professores Rafael Morais e Wilson Rotatori

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