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O teatro não cabe na sala

O teatro não cabe na sala

(Foto: Pedro Moysés)

Há quem pense que o teatro existe apenas quando as luzes se acendem e o espetáculo começa. Mas, quase sempre, ele nasce antes, nasce no gesto de arrastar cadeiras, na vassoura que varre o espaço, no aquecimento vocal, no prego que transforma uma sala de corpo num palco, no ato insistente de dizer: aqui, agora, isto acontece. O Grupo Divulgação sabe disso há quase seis décadas. E, mais uma vez, prova que o teatro não precisa de muito para ser infinito: basta gente disposta a fazê-lo existir.

“Volta por cima”, texto e direção de José Luiz Ribeiro, estreou na última semana no Forum da Cultura como um lembrete de que a vida insiste em continuar, mesmo quando parece ter nos tirado tudo. Uma viúva que descobre a traição do marido e se vê diante de novas relações, novos afetos e novas feridas: matéria sensível, cotidiana, dessas que só ganham reconhecimento de grandeza quando colocadas no palco. Em 50 minutos, é possível rir, silenciar, se emocionar e lembrar que envelhecer também é reaprender a viver.

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No centro da cena, a entrega do elenco. A veterana Márcia Falabella, na pele de Eleutéria, também dá vida ao marido falecido e à tia Celina. A atriz, junto de Helena Vasconcelos, Lúcio Araújo e Bruno Luis, preenche o vazio com presença e transforma em carne o ‘verbo’: o teatro é o lugar onde o ator torna visível o que o mundo tenta esconder. 

Talvez a potência esteja ali, justamente, porque o espaço é pequeno. Porque a plateia está perto. Porque, quando a cidade e a sociedade insistem em dificultar que artistas ocupem seus grandes palcos, os grupos reinventam os pequenos e os transformam no maior lugar do mundo. É teatro-resistência. Teatro que se faz sem luxo, mas com urgência. Teatro que só é capaz de acontecer quando alguém acredita o bastante para movê-lo com as próprias mãos.

Juiz de Fora tem mais artistas do que apoio. Mais histórias do que palcos. Ainda assim, os grupos seguem, repetindo, ensaiando, montando, convocando o público para o milagre coletivo de estar presente. Como lembra Sábato Magaldi, o teatro brasileiro é um “eterno moribundo” que sempre “readquire forças” quando parece sucumbir. 

Segundo Magaldi, o teatro sobrevive pela comunicação viva entre ator e público e, eu diria, pela teimosia amorosa de seus criadores. E é isso que vemos no Grupo Divulgação: teimosia. Daquelas que transformam uma sala adaptada em uma casa-teatro. Daquelas que, mesmo diante da falta de lugar, encontram motivos para continuar. Se o teatro é efêmero, sua resistência se faz permanente.

Em cartaz

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A clássica história de J. M. Barrie acaba de ganhar uma nova versão em Juiz de Fora. O espetáculo “Peter e Wendy”, fruto da 2ª Oficina de Montagem Teatral da Cia EITA!, em parceria com a Toró Produtora, estreia no espaço cultural do Moinho, no 5º andar, localizado na Av. Presidente Juscelino Kubitschek, nº 900. As apresentações serão nos dias 25, 28,29 e 30 de outubro e os ingressos já estão disponíveis. (Foto: Matheus Pereira Pires / Divulgação)

“Volta por cima” – Grupo Divulgação

Quando o palco se adapta, o teatro resiste. O novo espetáculo do Grupo Divulgação transforma uma sala intimista em território de grandes sentimentos. Texto e direção de José Luiz Ribeiro.

Sinopse: Uma viúva, após anos de completa felicidade com o marido, descobre ter sido traída por ele. Não bastasse a decepção, eis que surge um filho bastardo, fruto de uma relação do companheiro fora do casamento.

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“Peter e Wendy” – Cia EITA! & Toró Produtora

Sinopse: A Terra do Nunca chega ao Teatro Paschoal Carlos Magno em uma nova montagem. Nessa adaptação, a jovem Wendy recebe a visita de Peter Pan e da sua inseparável amiga Sininho. Ao descobrir a magia de voar, Wendy e seus irmãos embarcam para a Terra do Nunca. Mas, diante da saudade de casa, surge a dúvida: será que existe um caminho de volta?

Vem aí

“O grande espetáculo dos Irmãos Grimm” – Cravo Verde

Sinopse: A primeira comédia da Cravo Verde, traduzida do texto do Don Zolidis, traz os personagens dos clássicos contos de fada em uma nova roupagem, desde a Branca de Neve em uma batalha de lip sync contra a Rainha Má até o Lobo Mau e a Vovó em uma briga de sabres de luz.

 

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