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Juiz de Fora em cena: o teatro pulsa

O último final de semana marcou o encerramento da temporada de “Doce árido“, espetáculo de Tairone Vale que transformou o ato de “fazer doce” em gesto cênico de delicadeza e resistência. No mesmo embalo, o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM) recebeu uma dobradinha teatral gratuita. E, enquanto umas cortinas se fecham temporariamente, outras se abrem: o Grupo Divulgação volta à cena com “Volta por cima”, reafirmando sua vocação popular e seu olhar crítico sobre o cotidiano. Entre o artesanal e o mítico, o íntimo e o coletivo, o teatro local segue pulsando, doce e ácido, sempre vivo.

O teatro juiz-forano mostra que pode acontecer em diferentes endereços. Na Zona Norte, o anfiteatro da Praça CEU ficou pequeno para receber o público que lotou a sessão de “Doce árido” em uma noite de sábado chuvosa. O espetáculo, que acompanha três gerações de mulheres que produzem doce no interior de Minas, reafirmou a potência da cultura de teatro local. É um sinal de vitalidade e, ao mesmo tempo, um lembrete: o teatro não deve caber apenas no Centro, mas em toda a cidade.

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(Foto: Pedro Moysés)

Há, também, algo de profundamente engenhoso em “Doce árido”. A maneira como a direção resolveu o “fazer doce” em cena, sem recorrer a truques ou realismos, é puro teatro: invenção, imaginação e corpo. O cenário, por si só, também já é um espetáculo à parte. Pensado não apenas para atingir a beleza estética que o teatro, por vezes, necessita, mas também para fazer parte do espetáculo quase que como um personagem em si, que se desdobra e se aprofunda com o passar da narrativa. A iluminação, sem pirotecnias, abraça a cena.

As três atrizes, Layla Paganini, Pri Helena e Rebeca Figueiredo, ocupam o espaço com tanta força que, por vezes, parecem se multiplicar em cena. A delicadeza com que tratam o texto sensível e intimista de Tairone Vale, que fala de memórias, afetos e sobrevivências com doçura e densidade, é, também, uma força por si só.  “Doce árido” é um espetáculo que reafirma a potência do teatro juiz-forano, feito de ideias, criatividade, intensidade e presença. Que a cidade possa se inspirar e produzir ainda mais teatro. 

Essas imagens formam um retrato de resistência. Em Juiz de Fora, onde o apoio privado à cultura ainda é raro e o acesso a espaços de apresentação é restrito, cada temporada, cada estreia, é um pequeno ato político. É o teatro dizendo que ainda há espaço para o encontro, mesmo quando tudo ao redor parece afastar.

E a cena segue viva. Nesta quarta-feira (22) o Grupo Divulgação estreia “Volta por cima”, no Forum da Cultura. Escrita e dirigida por José Luiz Ribeiro, a peça mergulha nas contradições humanas – amor, luto, traição, segredos de família – e propõe um retorno ao teatro clássico, com começo, meio e fim. No elenco, a maravilhosa Márcia Falabella, Helena Vasconcelos, Lúcio Araújo e Bruno Luis dão corpo a uma história sobre falhas, perdão e o desejo de seguir.

Entre questionamentos filosóficos e a realidade nua e crua da vida, o Grupo Divulgação (GD) traz ao público o novo espetáculo “Volta por cima”. A estreia acontece na próxima quarta-feira, dia 22 de outubro, às 20h, no Forum da Cultura da UFJF. As apresentações seguem até o dia 15 de novembro, de quarta-feira a sábado, sempre às 20h. (Foto: Letícia Rezende)

O Grupo Divulgação, com quase seis décadas de história, é exemplo de resistência. Com produção ininterrupta, o grupo continua a cumprir um papel essencial: formar artistas, dialogar e manter acesa a tradição de um teatro que pensa o humano. A nova peça, que será apresentada em um ‘petit théâtre’ construído pelo grupo na sala de corpo da companhia, mostra, mais uma vez, resistência e inventividade, assinaturas do grupo.

A Cia EITA! estreia “Peter e Wendy”, uma adaptação delicada e vibrante do clássico de J. M. Barrie que convida o público a revisitar a Terra do Nunca sob uma nova perspectiva. Resultado da 2ª Oficina de Montagem Teatral, em parceria com a Toró Produtora, o espetáculo celebra o processo formativo e coletivo do fazer teatral, dando aos participantes a chance de experimentar todas as etapas de criação de uma montagem: do ensaio à produção. Com direção de Lucas Nunes e Gabriel Oliveira e adaptação de Glauber Machado, a peça combina o frescor do elenco jovem com a força simbólica da obra original, refletindo sobre infância, imaginação e o inevitável amadurecimento. As apresentações acontecem no Teatro Paschoal Carlos Magno, nos dias 25, 28, 29 e 30 de outubro. Os ingressos podem ser adquiridos no Sympla.

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A clássica história de J. M. Barrie acaba de ganhar uma nova versão em Juiz de Fora. O
espetáculo “Peter e Wendy”, fruto da 2ª Oficina de Montagem Teatral da Cia EITA!, em
parceria com a Toró Produtora, estreia no espaço cultural do Moinho, no 5º andar,
localizado na Av. Presidente Juscelino Kubitschek, nº 900. As apresentações serão no dia
25, 28,29 e 30 de outubro e os ingressos já estão disponíveis.(Foto: Divulgação)

Em um final de semana que começou na Zona Norte e agora desemboca também no Centro, a cidade se mostra mais teatral do que nunca: diversa, inquieta e, sobretudo, presente.

Juiz de Fora segue em cena. E o público, bom, o público parece voltar a retomar o seu lugar: dentro do teatro.

Em cartaz

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A clássica história de J. M. Barrie acaba de ganhar uma nova versão em Juiz de Fora. O espetáculo “Peter e Wendy”, fruto da 2ª Oficina de Montagem Teatral da Cia EITA!, em parceria com a Toró Produtora, estreia no espaço cultural do Moinho, no 5º andar, localizado na Av. Presidente Juscelino Kubitschek, nº 900. As apresentações serão nos dias 25, 28,29 e 30 de outubro e os ingressos já estão disponíveis. (Foto: Matheus Pereira Pires / Divulgação)

“Volta por cima” – Grupo Divulgação

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“Peter e Wendy” – Cia EITA! & Toró Produtora

 

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