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Teatro, rito e permanência

Teatro, rito e permanência

(Foto: Pedro Moysés)

No teatro, tudo acontece sob o risco do ao vivo. Um gesto que escapa, uma voz que falha e, assim, em uma fração de segundos, o silêncio do público se faz presença tão concreta quanto o corpo do ator. O erro não é falha: é a marca da vida pulsando na cena, o lembrete de que estamos diante de algo que só existe no instante em que acontece – e isso vale para as duas vias. Há uma cumplicidade silenciosa entre quem atua e quem assiste, um pacto invisível que transforma essa vulnerabilidade em força.

E é justamente essa vulnerabilidade que torna essa arte efêmera. Cada apresentação se apaga assim que termina; nada permanece senão a memória de quem esteve ali, naquela sessão específica. Diferente do cinema, do livro ou da fotografia, em que a interpretação pode ser diversa, mas o produto é sempre o mesmo, no teatro a cena não se repete, não se captura, não se conserva. Paradoxalmente, é nessa própria finitude que se cria a permanência; o instante que desaparece é também o que pode para sempre viver na lembrança de cada espectador, e nem sempre esse instante é como o planejado.

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O teatro, então, é também rito. O encontro entre palco e plateia funciona como um ritual contemporâneo, uma celebração da vida e do instante que se oferece. A dramaturgia e a encenação se tornam quase como uma liturgia laica, um espaço de comunhão em que todos participam de algo que nunca mais vai se repetir.

No fundo, o teatro é um rito passível de esquecimento, mas que insiste em produzir memória. O que morre dentro de uma, duas ou três horas de espetáculo não deixa de existir: permanece na tensão, na respiração, no olhar compartilhado e no risco que nos lembra, por alguns minutos, que, para se estar vivo, é necessário um ato de coragem.

A arte em si é efêmera: cada apresentação se dissolve no apagar das luzes, mas cada gesto, cada palavra, cada silêncio pode, ou não, se apagar com o tempo. 

O trabalho de formação de público, por outro lado, não se perde tão facilmente. Mesmo lento, é acumulativo. Cada espectador formado carrega consigo a semente do teatro, capaz de florescer em novos espetáculos, olhares ou experiências. Enquanto o espetáculo passa, o público se constrói, e essa construção, ao contrário da cena, é, ou deveria ser, extremamente duradoura.

Teatro em Juiz de Fora

De malas prontas

A ‘Cia Eita!’ foi selecionada entre mais de 200 inscrições para compor a programação do 17º Festival Nacional de Teatro Infantil de Feira de Santana (FENATIFS), na Bahia. Representando o teatro juiz-forano, a companhia já está de malas prontas e embarca dia 4 d eoutubro para uma viagem de mais de mil quilômetros até Feira de Santana, cidade localizada na região centro-norte do estado, onde apresentará o espetáculo “Assinado, Téo”, com texto e dramaturgia de Lucas Nunes, em duas sessões, nos dias 7 e 8 de outubro.

O grupo juiz-forano ‘Em Cômodos’ também viaja nesta semana para apresentar seu primeiro texto autoral, “A copa”, no XI Festival de Teatro Comunitário, o Festeco, em Mariana. 

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